Eduardo Coutinho: documentarista das pessoas comuns.

Coutinho

“Cinema é isto: se você conta mal, não adianta ter uma boa história. Saber contar é essencial”, disse  Eduardo Coutinho, em 2013. Perdoe-me o documentarista generoso, mas escreverei umas  linhas rápidas, mesmo que não bem contadas, sobre ele.

Começou a carreira no jornalismo na Globo e depressa se cansou da narrativa jornalística. Interessava-lhe um outro olhar. Flirtou com a ficção, mas seria no documentário que encontraria a o seu olhar.  Um olhar sobre  de um Brasil invisível. Coutinho revela a beleza, a poesia presente em histórias reais, em história de pessoas comuns.

“Abandonei a ficção”, contaria ao El Pais,” pelo documentário para livrar-me de mim mesmo. Era a única possibilidade de esquecer minha própria história: falar da dos outros”, explica sobre o salto que deu há décadas para deixar as margens que o afastavam dos focos necessários para poder buscar a si mesmo.

“A beleza tradicional, harmónica, não me interessa, porque eu quero fazer arte imperfeito e humilde, baseada nas sobras, no detritos, no lixo, nos fragmentos da vida”. Inesquecíveis são documentários como   “Boca de lixo”, de 1993, sobre catadores de lixo de São Gonçalo (RJ), e “Edifício Master”, de 2002, sobre um enorme edifício de apartamentos em Copacabana, no Rio de Janeiro.”  O documentário tem um atractivo que jamais terá a ficção: não vive de ilusões”.

Por uma daquelas coincidências extraordinárias da vida assisti, em Maputo em 2009, ao documentário “Coutinho.doc Apartamento 106” sentada ao lado da realizadora,  Beth Formaggini, amiga de uma amiga. O magistral documentário de Beth (durante largos anos produtora de Coutinho) é um documentário dentro de um documentário. Longe de ser um making off de “Edifício Master” é quase um filme que se descobre na solidão interna do realizador.  Subtilmente se encena uma intimidade com Coutinho, se vê o documentarista em processo de criação e nos confrontamos  com as dúvidas do cineasta,  com o jogo de sedução da vida, com os nossos vazios e com o vazios dos moradores do “Edificio Master”. Nunca me esqueci dessa noite em Maputo e de jantar que se lhe seguiu todo ele dedicado a discutir o génio de Eduardo Coutinho, o homem que gostava de pessoas comuns.

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