House of Pain

O Süddeutsche Zeitung escreve hoje sobre um capítulo tão tenebroso quanto escondido da história recente do chamado mundo “civilizado” e que está longe de estar encerrado.

Há uma década as imagens de Abu Ghraib, no Iraque, chocaram o mundo. Corpos empilhados, com a humanidade sequestrada, nus não apenas no corpo.

Os excessos e a tortura cometidos pelos americanos não terão sido caso único. 109 iraquianos apresentaram esta sexta-feira, no Tribunal Penal Internacional, em Haia, queixa contra militares do Reino Unido. Os testemunhos, publicados no diário alemão, são um soco no estômago e caso se prove serem verdadeiros uma ignominia para o Reino Unido.
Em duas longas e insuportáveis páginas devolve-se aos corpos sem história e sem direitos que eram os corpos dos detidos, uma história que fala deles, mas fala mais de nós, os chamados civilizados.

Quase 50 mil britânicos estiveram no Iraque, alguns em prisões sobrelotadas como Basra. Aqui os gritos dos detidos ouviam-se no exterior do complexo e os soldados chamavam-lhe “house of Payne ( apelido de um oficial de patente elevada)” ou “house of Pain” (casa da dor). Dor que não comoveu ninguém.

Se nos insurgimos contra a barbárie de talibans, extremistas e ditaduras, temos de nos insurgir e escutar a voz dos proscritos da e pela nossa sociedade, sim porque o Reino Unido integra esse grande projecto político a que se chama União Europeia. Que o silêncio não nos torne cúmplices nem acoberte a indiferença. A linha que separa a civilização da barbárie é muito ténue.

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