Cenas da vida doméstica

Zoom in: família reunida em volta da sopa fumegante. Cor: laranja forte. Música ambiente: risadas adolescentes. Detalhe: está muito frio. Se gostaram da sopa? Mas isso nem é preciso perguntar. Há prazer mais universal que uma sopa (de cenoura e batata doce) que evoca memórias de férias num destino a Sul? O único prazer semelhante que me ocorre é o ser-se provador de sabores de gelado. Aliás, como escreve meio a sério, meio a brincar, Luís Fernando Veríssimo, o que motivou a Europa a lançar-se ao mar foi a constatação “que não podia viver sem tempero”. Adiante. O tema da conversa era a excursão escolar da mais velha, que parte este sábado para Roma.
Monumentos, piazzas – ai o piccolo piacere de um gelado em Roma contemplando fachadas ocre e a harmonia das igrejas- e claro o Vaticano fazem parte do programa. Grande alvoroço e algum nervosismo entre as adolescentes da turma causa a audiência com o Papa. Nada de “tiques impacientes ou gestos de sofreguidão”, recomendou o capelão da escola que as acompanha. “Mami vou ver no Google como me comportar”, diz a mais velha. “Mas para quê que precisas do Google? Tens a Mami aqui”, riposta a mais nova. Made my day.
A confiança cândida e ilimitada dos filhos na capacidade dos pais rivaliza em beleza com a Capela Sistina e em aconchego com a minha sopa de cenoura.
Eis a importância de se chamar “Mami”.

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