Em modo countdown para o Nobel da Literatura

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Os prémios literários constituem o elemento mais visível dos mecanismos de consagração dos autores ou seja uma espécie de confirmação para o “uso” do grande público.

Primus inter pares, o Nobel da Literatura é uma espécie de meridiano de Greenwich do sistema literário, embora raramente desafie o quadro de referências eurocêntricas e de um certo, chamemos as coisas pelos nomes, machismo. Das cento e nove escritoras e escritores a quem foi atribuído o Nobel da Literatura quinze provêm de países não-ocidentais, doze são mulheres, e apenas uma entre os mais de vinte autores provenientes dos Estados Unidos e do Reino Unido é mulher negra.

A história do Nobel da Literatura é feita também de recusas. A do russo Boris Pasternak que o Politburo forçaria recusar o prémio, em 1958, tendo o  Nobel sido entregue postumamente ao filho de Pasternak em 1989. Talvez a mais conhecida das rejeições seja a do francês Jean-Paul Sartre, em 1964,por considerar que nenhum homem merece ser consagrado em vida, muito menos com um prémio burguês. A atitude valeu-lhe uma ampla projecção mediática. O que poucos saberão é que onze anos mais tarde Sartre contactaria o comité Nobel e pediria que lhe fossem transferidas as 273 mil coroas suecas que constituíam a dotação do prémio. O comité Nobel recusou.

Nem sempre as escolhas da academia sueca recaíram sobre poetas ou romancistas,  em 1953 o Nobel foi entregue ao ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill, pelo seu trabalho como historiador e biógrafo assim como pelos seus discursos. Das suas muitas intervenções celebres gosto particularmente desta:  “a política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.”

Ahh e os palpites para hoje? Se eu pudesse alguma coisa gostava de ver uma mulher nomeada, por exemplo Svetlana Alexievich, e se tiver de ser um homem então que seja o Gullar, o Ruben Fonseca, o Mia Couto, ou, puxando pelos meus galões lusitanos, o Lobo Antunes.

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