A carta

Recebeu uma cartinha. Escrita em letra incerta e infantil. “Eu sei que as cartas são antiquadas, por isso envio-te com a carta uns brincos”. Na era dos SMS, whatsapp, emails e facebook esta carta, que a Matilde recebeu hoje de uma amiga, encheu-me de ternura e remeteu-me para um texto sobre postais que já aqui tinha publicado.

Confesso: sou excêntrica. Nesta época de comunicação instantânea ainda uso esse meio de comunicação anacrónico que é o postal. Gosto das imagens de longínquas latitudes e povos antigos, de praias onde o vento corre a direito, de animais e sabores que não sei contar.

Não faço viagem sem remeter pedacinhos de mundo com um selo bonito. Pior ainda. Além dos que escrevo para as filhas e os amigos, em letra pequena e redonda, nostálgica da alegria de esperar pelo carteiro e desses que a caixa de correio se enchia de envelopes manuscritos com estampilha e carimbo, envio sempre um postal para mim própria.

Uma espécie de reminder de mim para mim, para nunca me esquecer na voragem do dias que “existe o mar e as praias nuas,/ Montanhas sem nome e planícies mais vastas/Que o mais vasto desejo”.

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