Notas breves para um diálogo interrompido

Estou aqui triste, com uma tristeza que não é minha, é uma tristeza por empréstimo. Tristeza-ponte que atravesso. Faltam-me imagens para escrever esta história, para trazer luz às sombras. Isto não me impede a vontade de escrever sobre ela. Em Davis, na Califórnia, um casal jovem, ele com 36, ela de 32, acabou o seu doutoramento, ele em medicina veterinária, ela – amiga da minha irmã – em epidemiologia. Duas filhas bebés completam o retrato da família feliz. Até um estúpido de acidente de automóvel, de que estão isentos de culpa, ter morto os pais dele e o outro condutor, ferido com gravidade as filhas e a ele, ela tem hipóteses quase nulas de sobreviver. Sei que estas histórias se repetem diariamente, contudo o diálogo interrompido desta família comoveu-me. Talvez por conhecer Davis, talvez pela G. ser amiga da minha irmã, talvez por imaginar aquelas bebés sem mãe (o meu maior medo é o de faltar às minhas filhas) ou aquela mulher sem ter tempo de dizer “vou emigrar de ti, levo a tua foto e um livro de poemas para olhar e lembrar o mapa do meu país”*. São muitas as superfícies de projecção.

*palavras pedidas emprestadas a Nuno Camarneiro

PS – O Blog tem estado “abandonado” por manifesta falta de tempo (a vida de jornalista nunca foi monótona numa redacção africana. Aos leitores um pedido de desculpa e aos que quiserem aceitar um beijinho ou um doce.

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