Uma fábula de Lafontaine (o alemão)

Acompanhei com estupefacção as notícias que foram publicadas em vários jornais portugueses sobre o “fundador” do euro Oskar Lafontaine. Copio as notas breves que escrevi no meu Facebook pessoal porque vale a pena, na minha opinião, dar algum contexto.

a) o ex-presidente do Deutsche Bank, Joseph Ackermann, disse numa entrevista à Der Spiegel que depois de conhecer a moradia de Lafontaine até “se sentiu envergonhado da sua”. Esquerda ma non troppo.

b) em 2005, Oskar Lafontaine considerou o “excesso de estrangeiros” como responsável pelo desemprego na Alemanha. As declarações foram feitas num comício em Chemnitz ( antiga Karl-Marx) na Saxónia, leste da Alemanha. Agora as suas posições colam-se ao partido anti-euro de direita populista AfD.

c) em 1992, foi obrigado a devolver ao Estado 230 mil marcos alemães devido à acumulação indevida de pensões. Há outros episódios de exercício menos correcto do poder público.

d) foi ministro das Finanças, antes de fugir do cargo, durante o brevíssimo período entre 27 de Outubro de 1998 e 11 de Março de 1999, no mandato da coligação “vermelho-verde”, entre SPD e Verdes, liderada por Gerhard Schröder.

e) em circunstância nenhuma foi “fundador” do euro. O rótulo “fundador” não deixa de ser eloquente do estado de boa parte da imprensa portuguesa e europeia que vive à procura de sangue, escândalos, tragédias ou heróis (que se encaixam na narrativa pré-definida) e onde nem se pára para pensar ou procurar a verdade da história além das aparências. Esquece-se o bê-a-bá do bom jornalismo.

Leia-se por favor a história económica ou consultem-se os arquivos da imprensa alemã antes de cair no facilitismo do rótulo. Ou pior, na má tradução do inglês para o português.

e) tudo isto para dizer: tem o populista e demagogo Lafontaine o direito de criticar a moeda única? Tem, como qualquer um de nós não fundadores, ou os taxistas de Lisboa. Agora a história da transumância indecente de ideias e cavalos de batalha de Lafontaine, cuja posição é contestada dentro do Die Linke e ao contrário do que se afirma na imprensa não foram publicadas na página do partido, mas na página pessoal do político, mostra que este não passa de um balão cheio de ar quente. Um Napoleão de bairro sem substância. Alguém, no seu perfeito juízo, acredita ser possível a existência de um sistema económico onde coabitem o marco alemão e o euro?

f) é este o “líder” (admirador confesso de Hugo Chávez) pelo qual a Europa suspira? Ou a histeria anti-alemã é tal que até um Lafontaine é alcandorado a uma importância que de facto não possui?

As fábulas nem sempre têm final feliz, as de Oskar Lafontaine essas são um embuste. Uma mentira feita que não merece discussão, porque não há discussão possível.

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One thought on “Uma fábula de Lafontaine (o alemão)

  1. o partido anti-euro de direita populista AfD
    Não vejo como se pode classificar como “populista” um partido chefiado por um economista de algum prestígio e que defende, com argumentos sólidos, a saída do euro.

    Alguém, no seu perfeito juízo, acredita ser possível a existência de um sistema económico onde coabitem o marco alemão e o euro?
    Ainda recentemente George Soros defendeu a saída da Alemanha do euro. Creio que George Soros, apesar de bastante idoso, ainda está no seu perfeito juízo.

    Este post expende grande verve a denegrir Lafontaine, mas de argumentação contra a sua tese, nada ou quase nada. É um post ad hominem.

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