Helena Iracema

Quando nasci, no momento de escolher o meu nome os meus pais hesitaram entre Helena e Iracema. Princesa de Esparta ou amazona índia tabajara? Um nome ajuda a compor o primeiro retrato de si mesmo.

Debruço-me sobre o significado de Helena. Há sob o nome um signo que o desmonte? Uma geografia?  “Luz,tocha, luminosidade”devolve-me o dicionário. “Troia”, “mulher corajosa, sem preâmbulos, que desafia convenções por amor, um amor que ninguém entende”, devolve-me a mitologia. “Santa Helena”, devolve-me a hagiografia. Contemporizo. Nesta confusão de identidades não se retratam , na constelação de encontros e sobretudo desencontros que constituem a vida, (quase) todas as mulheres?

“Mundo mundo vasto mundo”, as experiências multiplicaram-se e a explicação do meu quase-nome foi ficando por fazer.

Só esta semana me permitiu entender a sombra que o meu quase-nome projectou sobre o meu ser inteiro. Li finalmente Iracema, a obra-prima de José de Alencar, que conta a história da índia guerreira dos lábios de mel, mito fundador do Brasil, e do seu amor pelo português Martim. Em brevissímos traços: a índia troca a sua liberdade, a tribo, o local onde morava para viver com o português, submete-se. O português após o encantamento inicial sente saudade dos seus e da noiva branca que deixara para trás. Quando descobre que afinal a sua felicidade estava no Ceará foi demasiado tarde. A índia morria deixando-lhe o filho nos braços.

“Muito cedo na minha vida foi tarde demais” escreveria Margarite Duras. Na minha também.

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