Carta a Matilde

Matilde abriram-se as nuvens, escorrem cordões grossos de chuva. Uma tempestade tropical embala-me como uma canção de “ninar”. Acomodo-me na cama, fecho os olhos e penso em ti. Lembras-te de te aninhar
nos meus braços com medo dos trovões e pedir Mami “conta-me uma história”?Juntas éramos onda e areia.

Hoje não fui eu que fez o bolo e lhe pôs as velas, nem serei a primeira a abraçar-te pela manhã agora que te aproximas do Equador que separa a infância da adolescência. Não é só o céu que chora minha querida.

Desafio a rosa dos ventos, tu de um lado do mundo, eu no outro extremo, e sussurro-te um poema. “No fim tu hás-de ver que as coisas mais leves são as únicas/que o vento não conseguiu levar:/um estribilho antigo/um carinho no momento preciso/o folhear de um livro de poemas/o cheiro que tinha um dia o próprio vento…”

Matilde a mesma nuvem que traz a chuva traz o bom tempo. Pela primeira vez desde que nasceste não passo o teu aniversário contigo, mas tu sabes que o amor é quando se mora no outro e tu e mana moram em mim.

Parabéns Matilde. Recebe um beijo largo como o Amazonas.

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