Por terras de Maiongong, Wapixana, Yanomani e gentes acolhedoras

1. Em Roraima, “monte verde” (para os macuxi)”mãe dos ventos” (para os pemon e taurepang) ou “serra do cajú”, situa-se a única capital brasileira a norte da linha do Equador, Boa Vista.
Aqui a chuva ainda não levou o Verão e a sensação térmica é de 50 graus embora o termómetro só tenha marcado 39 graus, no dia mais fresco desta semana, e 45 graus no dia mais quente.
Nas ruas amplas da cidade construída nas margens do Rio Branco – era conhecidos pelos Índios como Queçoene até o colonizador português Pedro Teixeira o ter rebaptizado como Rio Branco no século XVII – mangas amadurecem nas árvores e oferecem-se às mãos de quem as queira colher.

Boa Vista é generosa para os que decidem ser felizes: suco de taperebá com guaraná, caju e castanha do Pará, paçoca – farinha de mandioca e carne seca – com banana, tambaqui, tucunaré, pirarucu, galinha capira, pudim de cupuaçu. Correspondo ao apelo e provo exóticos sabores sublimes.

2. Vou na minha quarta visita à Amazónia e tem sido sempre assim. A maior amplitude térmica não é entre a Primavera de Bona e o Inverno de Boa Vista, mas entre a forma de abraçar. Ninguém abraça como se abraça aqui. Derretendo distâncias.”Caminho por uma rua/que passa em muitos países. Se não me vêem, eu vejo/ e saúdo velhos amigos”, escreveu Carlos Drummond de Andrade.

3. Pertinho da margem do Rio Branco, cuja orla recebeu o nome de Taumanan ( “paz” no idioma dos macuxis) e em frente à Igreja Matriz, pintada de amarelo envelhecido, fica a Rádio Monte Roraima FM, a razão da minha viagem.

Já por várias vezes escrevi aqui no blog que é um privilégio para qualquer jornalista trabalhar com a Rede de Notícias da Amazónia, uma associação de rádios católicas, que faz da defesa da Amazónia, dos seus povos e culturas, uma luta diária.

Espalhada pelo imenso território amazónico, de Cruzeiro do Sul a Belém do Pará, a rede denuncia o desmatamento, a corrupção, o tráfico de meninas para a prostituição, a biopirataria, ou seja o comércio ilegal de plantas e animais, como os peixes que seguem de Barcelos – sim Barcelos, na Amazónia, há também as localidades Viseu, Óbidos, Bragança e Alter de Chão – para o Japão.

Este grupo de mulheres e homens corajosos abraça um jornalismo de causa, não contra o “progresso, mas contra o que é predatório”.
Vai ao rubro o duelo entre dois modelos: “o capitalista desenvolvimentista” – da soja, dos madeireiros, dos criadores de gado e das barragens – e “o ecológico” – que admite o uso da floresta sem a destruir. Não há uma corrida ao “ouro” na Amazónia, há muitas. Alguém de Roraima disse-me que “o ouro ( e existe muito em Roraima) é a menos importante das nossas riquezas”.

Em Boa Vista conheci uma equipa de jornalistas dedicados, com uma enorme garra. Nada que me surpreendesse depois de conhecer a directora de programação e o Padre Paulo, o director da rádio. Gente boa como se diz aqui no Brasil.

4. Há tantas coisas que aconteceram nesta semana que nem sei como enumerá-las. Passei o Dia do Índio entre índios. Conheci pessoas maravilhosas. Escapei (escapámos) graças ao sangue frio e reacção rápida do condutor a uma tentativa de assalto, depois de uma perseguição digna de figurar na televisão norte-americana. Comprei artesanato indígena e literatura brasileira. Recebi de presente uma jóia ecológica feita de capim dourado. Amei cada instante como se fosse único. Não será isto a vida na sua essência ?

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