Reflexões em torno do caldo de mancarra

É muito fácil gostar de Bissau. Fica muito para lá do imaginário. Para além do hoje que é o eterno ontem.
Não se vai a Bissau – com suas ruas antigas, as paredes da arquitectura colonial a esborar-se, gastas de cor, o fantasma do palácio presidencial – à procura de conforto. Mas corre-se atrás da música, da oratura, das mandjuandadi (cantadoras de estórias), dos panos, da nostalgia, da poesia, das pessoas, ou de um fio de lógica que permita dar algum sentido à história desde a independência. Paraíso e Inferno cobiçado. Bissau nunca desaponta.

Na Fortaleza da Amura, o mausoléu do pai da independência está esquecido. Coberto de pó como o sonho de uma Guiné livre. Sairam os colonos, ficaram os heróis. E nada há de mais temível que um heroí sem guerra. Enferrujado num canto o carocha branco com matrícula IT2606 – RG, onde Amílcar Cabral, foi assassinado a 20 de Janeiro de 1973.

Basta por lado a política para descobrir uma Bissau cabaça amparada por várias mãos. Sensual, afectiva, feita de coisas boas. Como a alquimia do caldo de mancarra (amendoim) que me provoca húmidos olhos agradecidos. Bissau nunca desaponta.

Receita de caldo de mancarra para 4 pessoas

1 frango inteiro grande
400g de amendoim (mancarra)
15cl de óleo de palma (citi)
3 tomates bem maduros
1 cebola grande
1 alho
2 malaguetas
Sal, q.b.

Esmaga-se bem o amendoim no almofariz, até ficar quase em farinha. Escalda-se o tomate para lhe tirar a pele, que depois limpa-se de sementes e amassa-se. Junta-se-lhe o amendoim esmagado, envolvendo-se bem e misturando depois em meio litro de água. Mistura-se bem e passa-se por um passador de rede não muito fina. Reserva-se o preparado. Limpa-se o frango, corta-se em pedaços e tempera-se com sal e malagueta. Pica-se fino o alho e a cebola e leva-se numa panela ao lume, juntamente com o óleo de palma. Quando a cebola estiver transparente, coloca-se dentro o frango, que se vai virando para fritar por igual. Deita-se o preparado de amendoim no frango e tapa-se a panela, deixando apurar em lume brando durante cerca de uma hora. Serve-se acompanhado com arroz branco.

PS-  Passa amanhã um ano sobre o golpe de Estado que mantém a Guiné-Bissau refém dos seus abutres.

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