Make love, not housework?*

iron

Ok rapazes. Pousem os aspiradores, saiam da cozinha e saltem para a cama. Quem o ordena são sociólogos do instituto madrileno Juan March e da Universidade de Washington. Segundo um estudo, publicado na edição de Fevereiro da “American Sociology Review”, quanto mais tempo um homem dedicar às tarefas domésticas, como cozinhar ou ir às compras, menos relações sexuais mantém.

E o inverso (dizem eles) é verdade. Caso o homem dê mais atenção ao automóvel ou à jardinagem fará terá em média vinte vezes mais sexo por ano, garante o estudo “Igualdade, trabalho doméstico e frequência das relações sexuais no casamento”.

As conclusões do trabalho “sugerem a importância dos papéis tradicionalmente atribuídos a cada um dos sexos na frequência das relações sexuais num casamento heterossexual”.

De acordo com Sabino Kornrich, investigador que liderou a investigação, “os casais nos quais há uma maior participação do homem nas tarefas tradicionalmente atribuídas às mulheres afirmam ter um menor número de relações sexuais”.

“Da mesma maneira, os casais em que o homem se ocupa de tarefas tradicionalmente consideradas masculinas – jardinagem, pagar faturas ou ocupar-se do automóvel – afirmam manter relações sexuais com maior frequência do que no caso anterior.

“Existe uma espécie de encenação sexual bem definida pelo género, na qual comportar-se de acordo com o género a que se pertence é importante para a criação do desejo sexual e a realização do acto”, acrescentou Kornrich.

Inspira. Expira. Ora bem, este “estudo” merece-me alguns comentários. Desculpem rapazes estar a concorrer com vocês em assuntos de ginástica mental e a deliberadamente ignorar que nada é tão feio, helás tão pouco concordante com a definição de género, como uma mulher pensar.

Antes de mais, como é que com base em dados obtidos entre 1992 e 1994 (um questionário feito a 4500 casais norte-americanos) se tiram conclusões válidas vinte anos mais tarde?

O que são tarefas tradicionalmente masculinas e femininas? As definidas pela Ordem Masculina Dominante, com o beneplácito da Ordem do Mulheral Submetido de Bom Grado? Se eu posso vestir um colete à prova de bala, atravessar a Amazónia e ir para zonas de conflito, porque raio é que o meu marido não pode arrumar a louça na máquina?

Porque é que factores com rendimento, religião, emprego e felicidade no casamento não foram tidos em conta na análise?

Nota subjectiva final: causa-me uma irritação subcutânea o “estudo” ter sido liderado por um instituto madrileno (como se sabe Espanha é um país o machismo não existe…). Bolas. Não sei se nasci uma deficiência genética. Deficiência que me impede o acatamento do “Modelo Cultural Feminino” e do determinismo “mulher que é mulher” é submissa, doce, fala pianinho e abre as pernas sempre que o seu homem quer.

Onde é que posso assinar a petição para que este “estudo” receba o IgNobel?

* Ou não acredites num estudo que tu próprio não tenhas encomendado.

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13 thoughts on “Make love, not housework?*

  1. Tem toda a razão.
    Ontem quando li as notícias portuguesas e vi estas parvoices apregoadas só me lembrei de dizer: Também faço todas as tarefas domésticas, por que não me perguntaram a mim? :-))

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  2. Este estudo foi objecto de noticia em Portugal? Ja estou a imaginar – va querida, ja sabes que se eu aspirar a casa, vou ter menos desejo sexual – sim sim… ou isso ou as mulheres desdobram-se em profissionais, maes e donas de casa que sao elas, as moças sem vontade!

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      1. Sem palavras… Deve ter sido noticiado como a descoberta do ano! Aproveito para lhe dizer que todos os dias de manha leio o seu blog e que muito tenho aprendido e divertido com ele. Obrigada.

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  3. Esses resultados, se verdadeiros, podem ter várias explicações. E o primeiro comentário que me veio à cabeça foi: Quantidade não é igual a qualidade.

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  4. Aposto que os homens que vivem sozinhos fazem mais tarefas domésticas e têm menos sexo… 😛
    De resto, a aceitação de “estudos” sem se questionarem os parâmetros em que foram feitos não é para mim. Bom post.

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  5. Helena, também escrevi sobre isto, antes de ler aqui o seu post. Que subscrevo. Mas o meu está cheio de ironia, porque defendo que sim, que o housework tira a energia e a magia – a todos. 🙂 🙂 Portanto que tal partilharem (ajudar não chega) as tarefas e assim não serem sempre as mulheres a ficarem estafadas com 1001 exigências? Consegue perceber o que quero dizer? 🙂 Espero que sim, que me tenha feito entender 🙂
    (Mas não tinha lido que o estudo advoga que as tarefas ditas masculinas dão energia – aqui já me faz espécie e já passa um “bocadinho” das marcas, por tudo o que diz)

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  6. O estudo também me provocou imensa irritação. Depois de alguns dias a barafustar sobre estudos encomendados por homens e a pensar no cansaço das tarefas domésticas ser agora partilhado, foi ao ler o seu post que se fez lá: quando se diz que “Da mesma maneira, os casais em que o homem se ocupa de tarefas tradicionalmente consideradas masculinas (…) afirmam manter relações sexuais com maior frequência do que no caso anterior”, talvez a chave esteja no verbo afirmar.
    Assim, questiono-me se os homens que ainda não partilham as tarefas domésticas com as suas companheiras e preferem dedicar-se a actividades que consideram mais masculinas e masculinizantes não serão também homens que vêem na quantidade das relações sexuais que tiveram um outro simbolo da sua virilidade e, como tal, afirmam ter mais sexo do que realmente têm…

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      1. Repare que no estudo se interrogou “casais”, não se interrogou apenas homens.
        É claro que alguns homens podem querer exagerar sobre o número de relações sexuais que fazem, mas talvez as suas mulheres os contradigam…

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  7. É claro que há uma hipótese alternativa (que possivelmente a Helena rejeita por motivos ideológicos), que é a de que alguns homens sejam de alguma forma mais “masculinos” do que outros, e que essa masculinidade acrescida se mostre não só na cama mas também na disponibilidade e apetência para efetuar certas tarefas em detrimento de outras.
    Ou seja, alguns homens podem ter, suponhamos, mais “hormonas”, as quais levem a que, por um lado, eles tenham menos apetência e menos jeito para cozinhar o jantar, e por outro lado tenham mais apetência por fazer sexo.
    Ao fim e ao cabo, é perfeitamente razoável supôr que a apetência para o sexo esteja correlacionada com outras apetências.

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  8. Acho uma parvoíce reduzir a estudos e hormonas uma coisa tão simples como o respeito e tratamento igual entre mulheres e homens.
    Isto para mim é apenas uma questão de evolução da espécie.
    Uns evoluem, outros parece que não.

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