A Sophie na Coreia do Norte

Coreia

A Sophie é uma jovem de 19 anos que fez uma viagem, digamos, diferente.

A Sophie não é uma jovem qualquer: é a filha de Eric Schmidt, o presidente da Google e um dos homens mais ricos do mundo,com uma fortuna estimada pela Forbes de mais de 7 mil milhões de dólares.

Pois bem, a Sophie acompanhada do pai e de uma pequena delegação norte-americana (9 pessoas), visitou Pyongyang. Dessa visita resultou um relato de viagem – impressões de viagem, fotografias – publicado numa página do Google. “A melhor descrição que encontro da Coreia do Norte é dizer que um Truman Show, mas à escala de um país”, pode ler-se. Como uma menina mimada, a Sophie queixou-se das camas duras no Hotel, da falta de aquecimento nos edifícios e comentou o facto das polícias de trânsito da capital norte-coreana serem uma sensação no You Tube, sem disso estarem conscientes. Posso até ser benevolente com a Sophie, que apesar de tudo ainda é uma adolescente. Tenho maior dificuldade em digerir as notas de viagem do seu pai:

” – Existe uma rede de 3G instalada por uma firma egípcia e é possível enviar SMS.

– Não é possível a transmissão de dados móveis, nem o uso da Internet pelo público em geral (militares e políticos têm acesso).

– É preciso que o Governo permita acesso à Internet a todos os cidadãos. Não pode ficar para trás neste domínio”.

Caro Eric Schmidt: segundo a UNICEF 15,5 por cento das crianças na Coreia do Norte sofrem de subnutrição. Metade da população não tem acesso a água potável.Possuir uma Biblía significa a pena de morte ou o internamento num campo.

Nos campos de “reeducação” há pelo menos 200 mil presos políticos. Dos campos “kyo-hwa-so”– que significa “um lugar para tornar uma pessoa melhor através da educação”- escondidos em vales ou no meio das montanhas, por vezes, só se sai para morrer em casa ou na rua. Execuções públicas, tortura, infanticídio, violações de mulheres, abortos forçados, rações mínimas para não morrer à fome.

Face a isto parece-me que nem a Internet, nem o todo-poderoso-Google, serão prioridades…Mas isto sou que tenho mau feitio.

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4 thoughts on “A Sophie na Coreia do Norte

  1. Havia uma anedota de que só muito vagamente me lembro, sobre alguém que vendia não sei o quê e olhava para as pessoas apenas dessa perspectiva.
    Como não me lembro dessa anedota, conto outra (esta, infelizmente, verídica): uma vez andava com um grupo de técnicos de desenvolvimento regional a visitar uma região de Portugal. Íamos num autocarro, no qual ia também o presidente da câmara, de microfone na mão. À medida que atravessávamos as freguesias, ele apresentava-as mais ou menos assim: “estão a ver ali Vilarinho de Cima – uma freguesia com 243 eleitores”.

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    1. Mas o Presidente da Google. A “biblia” dos tempos modernos? Às vezes apetecia-me lançar uns impropérios ou convidá-lo para uns encontros com sobreviventes do horror coreano.

      A dos eleitores faz-me lembrar um episódio verífico passado comigo numa noite eleitoral aqui na Alemanha. Falava eu com político da CDU e perguntava-lhe o que tinha feito em termos de política para mulheres, a resposta veio pronta: “construi mais x ( não me lembro do número exacto) lugares de estacionamento para mulheres”. A sorte dele foi eu ser bem educada.

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