Infiéis

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Há aqui qualquer coisa que não bate certo. À sombra do Estado de Direito alemão existe uma justiça paralela. Em cidades como Berlim ou Bremen os problemas de violência familiar, em famílias muçulmanas, são resolvidos, à luz da Sharia, por “Juízes de Paz”, que são em simultâneo Imans. Sob a capa da liberdade religiosa, na Alemanha, em pleno XXI, as mulheres continuam a ser forçadas a aceitar maus-tratos, a ser submissas, a casar contra a sua vontade, sob a ameaça de violência física e psicológica.

As pessoas habituam-se a tudo, por isso convém recordar que em só em 2012, na Alemanha, 18 mulheres foram vítimas de “crimes de honra”. Praticados nalguns casos com a conivência e a aprovação das famílias, da vítima ou dos assassinos. E face a uma quase indiferença da sociedade. Que jovens muçulmanas vivam em cidades alemãs sujeitas à opressão da Sharia, parece incomodar menos do que tomar uma posição determinada, frontal contra esta barbárie . Vergamos a cabeça por medo – porque de facto há razões para ter medo – ou porque não queremos parecer intolerantes e tornamo-nos cúmplices da intolerância com a nossa complacência.

A secção alemã da Amnistia Internacional explica aos mais desatentos quando é que uma mulher “peca contra a moral da família”: quando se recusa a casar com o noivo escolhido pelos pais, quando se quer divorciar (mesmo tendo sido vítima de violência doméstica), quando engravida sem estar casada, quando é violada ou vítima de incesto.

Elenco algumas histórias, todas de 2012, documentadas pelo site Ehrenmord.de.

Dilara Ö, de 19 anos, mãe de uma bebé 2 anos, foi atirada pelo marido de janela no quarto andar em Leverkusen, a filha assistiu ao crime.

Em Gütersloh, Fauzia, uma jovem curda de 32 anos, mãe de três filhas de 10, 13 e 15 anos, foi esfaqueada pelo marido na presença da filha mais velha. Tinha tentado abandonar o marido por diversas vezes porque este a espancava.

A afegã Freshta A., 20 anos, mãe de um bebé de seis meses, foi assassinada pelo companheiro iraniano. O cadáver foi mutilado e colocado em sacos plásticos que foram posteriormente abandonados nos arredores de Hamburgo.

Dizer que os crimes são repugnantes não basta. O diálogo mostrou-se ineficaz. Basta olhar para as estatísticas, para as páginas dos jornais. A bem da pureza do Islão (ou de uma interpretação do mesmo) esborratamos a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Quantas mais meninas e mulheres terão de morrer, repito no século XXI na civilizadíssima Alemanha, onde há mais de dois séculos nasceu Kant o grande filósofo dos direitos humanos, da igualdade perante a lei, da cidadania mundial, da paz universal e acima de tudo do “Sapere Aude”, a emancipação da razão ?

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6 thoughts on “Infiéis

  1. Helena, o que aconteceu aos assassinos? Não posso acreditar que a justiça da Alemanha não os tenha castigado.
    (Eu percebi que se insurge contra o facto de ser possível chegar, apesar de outros actos de violência, à violência final do assassínio)
    Uma nota: Fauzia tinha 32 anos quando foi assassinada e não 22.

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  2. A Helena atribui ao islamismo coisas que nada têm a ver com ele.
    Também na Índia há muitas mulheres que são assassinadas pelos seus maridos. E em Portugal também. Isso nada tem a ver com a religião deles nem delas.
    Em muitas regiões há costumes culturais horríveis, como esse dos crimes de honra. Mas esses costumes nada têm a ver com o Islão.
    Por um raciocínio análogo ao da Helena neste post, poderíamos facilmente dizer que o catolicismo é uma religião que propaga a pedofilia…

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    1. Luís, em todos os casos que cito o factor Islão foi determinante.
      Eu não atribuo ao Islão nada, crítico apenas um olhar radical, enviesado da fé. Tenho bons amigos e amigas muçulmanos, já visitei mesquitas do Egipto à Malásia e participei em orações ecuménicas. Acredito que há muitos caminhos para a bondade e nem todos passam necessariamente pela fé.

      Considero a pedofilia repugnante (algum Islão legitima-a ao permitir casamentos de meninas de 9 anos) seja em que contexto for. E sou a primeira a indignar-me com os casos existentes na Igreja Católica.

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