“Não fales”

Quando o escritor chinês Mo Yan participou da Feira do Livro de Frankfurt  em 2009,contou um episódio que supostamente cada criança chinesa conhece: Beethoven e Goethe caminham juntos. De repente passa um coche com o rei. Beethoven permanece desafiador e mantém a cabeça erguida . Goethe, no entanto, tira o chapéu e faz uma vénia. Mo Yan disse que quando era jovem admirava reacção de Beethoven. Mas, depois de ter chegada aos 50 anos passou a respeitar a atitude de Goethe. Quem assim fala não é um  dissidente, mas alguém do “sistema”. E como alguém do sistema abandonou a sala em Frankfurt quando os escritores dissidentes Dai Qing e Bei Ling nela entraram.

Mo Yan (pseudónimo literário de Guan Moye) significa “não fales”. E esta parece ser a opção política do Nobel da Literatura deste ano.

Não sejamos ingénuos  Há muito que o Nobel da Literatura ( e já agora o do Paz) assim como a maioria dos prémios literários não tem necessariamente apenas a ver com a qualidade da escrita do autor, mas sobretudo com uma conjuntura.

Acresce dizer que podemos discordar das posições políticas dos autores  (no meu caso discordo profundamente do actual Nobel), as pessoas por detrás dos livros, dos quadros, das esculturas, podem até ser odiosas – o que dizer de Céline, ou de  Sartre , ou de Karl Marx, que nunca pôs os pés numa fábrica, nunca pagou à sua criada, fumava e bebia imenso e, para cúmulo, detestava lavar-se*?- mas isso não retira valor à obra.

* Aqui

 

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