“Crónicas dos (Des)feitos da Guiné”

As guerras, os sucessivos golpes de Estado e a situação política precária que a Guiné-Bissau atravessa atualmente são  temas do livro de crónicas do embaixador português Francisco Henriques da Silva, que será lançado na quarta-feira, referiu hoje o autor.

“A minha visão do futuro da Guiné-Bissau não é otimista, é uma visão um pouco sombria”, declarou à Agência Lusa Francisco Henriques  da Silva.

O livro “Crónicas dos (Des)feitos da Guiné”, editado pelas Edições Almedina, será lançado na quarta-feira, na sede da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, em Lisboa.

De acordo com o autor, a partir de 1980, quando houve o primeiro golpe de Estado (João Bernardo “Nino” Vieira derrubou o Governo de Luís Cabral num golpe militar), “os militares passaram a assumir um papel muito importante, um papel proeminente na sociedade”.

Henriques da Silva disse acreditar que os militares não vão abandonar facilmente o poder na Guiné-Bissau. “Estas questões (golpes) vão manter-se até se resolver a questão de fundo, que é a reestruturação das Forças Armadas”, assinalou o autor.

“Enquanto isso não acontecer, as Forças Armadas vão continuar a intervir na vida do país, todos os dias. Esse é um problema muito complicado porque o país nunca mais voltará à normalidade se isso não acontecer”, argumentou.

O autor combateu na Guiné-Bissau, entre 1968 e 1970, durante a guerra colonial e, posteriormente, foi nomeado embaixador no país (entre 1997 e 1999), tendo vivido a guerra civil que abalou a nação africana lusófona.

“Vivi duas guerras, a primeira foi a guerra colonial e a segunda foi a guerra civil que presenciei na Guiné-Bissau. Foram experiências muito marcantes e, então, resolvi passar a escrito essas experiências, centrando-me mais na segunda do que na primeira”, disse o autor, sobre as crónicas do seu livro.
“Eu relato a guerra colonial, no período de 1968 a 1970, em apenas duas crónicas. Depois, falo do período de paz que antecedeu a guerra civil” na Guiné-Bissau, referiu o embaixador português.

A guerra civil na Guiné-Bissau ocorreu quando o exército formado pelo brigadeiro Ansumane Mané (antigo chefe do Estado-Maior) depôs num golpe militar o Presidente João Bernardo “Nino” Vieira.

O país viveu uma guerra sangrenta, com tropas estrangeiras a ocupar o território guineense, que fez milhares de refugiados.

“Tiro uma série de conclusões relativamente à guerra e aos problemas que tem a Guiné-Bissau”, acrescentou.

De acordo com o autor, as crónicas “têm descrições da guerra, análises políticas, sociais e económicas, episódios anedóticos, alguns até burlescos, e dramas humanos” a que assistiu, além de “cenas do quotidiano, incidentes diversos, reflexões diversas sobre a vida, sobre o mundo, num contexto de conflito armado”.

“No fundo, isso é história real vivida. Evidentemente que as pessoas vão dizer que há muita coisa subjetiva, há aqui muitos pontos de vista que são do autor, há aqui muitas críticas que as pessoas podem não aceitar (…) A minha visão é essa, eu vivi esses acontecimentos, portanto descrevo o que vivi”, disse o embaixador.

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