Reparações ?

Há dois anos, numa entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, o então primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, afirmava que a questão das reparações era ” uma questão em aberto, mas não um tema, porque o país tem preocupações bem mais sérias”.
Neste momento as preocupações gregas não são menores, pelo contrário, a ajuda externa parece ser insuficiente e em Atenas debate-se a necessidade de um novo pacote de resgate. Não obstante isto o ministério das Finanças grego decidiu criar uma comissão para reunir provas dos crimes cometidos pela Alemanha na Segunda Guerra ( como se a barbárie nazi na Grécia não estivesse já documentadíssima) e reivindicar reparações. Em termos de política interna esta decisão até se compreende: muitos gregos culpam os alemães pela austeridade no seu país e a exigência de reparações é popular. Todos os meses são fixados novos valores sendo que o mais recente fixa a “dívida” alemã em 300 mil milhões de euros.
O que os demagogos e a imprensa grega querem ignorar é o facto de essas reparações terem sido pagas, por um lado, e de os gregos as terem gerido de forma negligente, para usar um termo benévolo.
Num artigo publicado hoje pelo Financial Times Deutschland, oportunamente intitulado “Das Geld der Anderen”, enumeram-se essas reparações. Logo no final da guerra foram atribuídos à Grécia 30 mil toneladas de bens industriais (dez mil foram embarcadas em navios ingleses em 1950 em direcção à Grécia, mas nunca chegaram ao país, as restantes apodreceram no Porto de Hamburgo que estava sob controlo britânico). Em 1953 Bona atribuiu um crédito de investimento de 200 milhões marcos em condições especiais, uma forma de reparação que nunca foi reconhecida como tal. Também 115 milhões de marcos foram pagos directamente ao governo grego como reparação pelos crimes nacionais-socialistas. Este dinheiro, afirma o FTD, “desapareceu”.

Será preciso fazer um desenho?

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3 thoughts on “Reparações ?

  1. Tudo isso me parece muito estranho. Segundo li algures, o valor do ouro que os nazis roubaram aos bancos gregos andava pelos 70.000 milhões de euros.
    Enviar para lá bens industriais (que nunca chegaram, aliás) ou emprestar à Grécia dinheiro a taxas bonificadas não é o mesmo que devolver o ouro que foi roubado a esse país.
    Sinceramente, não entendo as razões desse artigo.

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