A nossa equipa

Há prazer maior do que o futebol de rua no bairro da nossa infância? Com uma equipa cujo tamanho variava, de cada lado os que estivessem disponíveis. E soubessem pular quintais para recuperar bolas perdidas. Naquela rua, tão inclinada como as ruas de São Francisco, esfolar os joelhos, era nome de guerra, jogava-se até as pernas não poderem, ou a mãe chamar: “o jantar está na mesa”. E jantar na Madeira, na casa da D. Teresa, era assunto de Estado, diria quase banquete de Estado.

Haverá algo comparável a marcar um golo entre duas pedras colocadas no chão, numa baliza de largura variável, que se estreitava ao longo do jogo, consoante a, disfarçada, perícia do guarda-redes? Era uma espécie de baliza da vida.

Todos estes prazeres passam – com o tempo e as obrigações, com a vida séria, com a barriga , como escreveu o Luís Fernando Veríssimo, mas o amor pela nossa equipa continua. Confiamos-lhe a tarefa de continuar nossa infância por nós. “Passamos-lhe a guarda dos nossos prazeres com a bola. A relação com o nosso time é a única das nossas relações infantis que perdura, tão intensa e irracional quanto antes. Ou mais”.

 Só isso pode explicar o amor pelo Nacional da Madeira, não é Paulo?

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