A bola

Aviso à navegação: sei que não vou fazer muitos amigos com este post, mas dane-se.

Abriu oficialmente a silly season, pelo menos a acreditar no que se vê nas televisões portuguesas. Onde quer que sintonize a selecção que nos “representa” – ainda ninguém me convenceu porque é tenho de me sentir mais ou melhor representada por uns miúdos mimados e com maus cortes de cabelo do que pelos Galandum Galundaina ou pelo Rui Zink – abre noticiários pelos motivos mais estapafúrdios, os desgraçados dos jornalistas fazem directos vazios de conteúdo, tão vazios que chegam a ser confrangedores. Discutem-se temas “profundos” como os carros dos jogadores, o hotel dos jogadores, os gastos dos jogadores e o Ronaldo, qual Atlas com Portugal às costas. Metade do país está com os olhos embaciados pelo sentimentalismo patriótico sem solidez. E o Euro ainda nem começou.
Portugal, país sem grandes ideais e sem grandes causas vai suprimindo o défice de heróis e de grandeza por interpostos jogadores de futebol.

Enquanto isso a selecção alemã, que não abre noticiários, nem cultiva o vedetismo, visitou, longe das câmaras e das objectivas, o campo de concentração de Auschwitz e tem-se multiplicado em criticas ao regime ucraniano e à forma como Julia Timochenko é tratada na prisão. Aqui não houve corridas pela selecção, nem o avião da Mannschaft foi acompanhado ao minuto como se do Papa se tratasse. Apenas se exige que o onze branco e negro seja digno de envergar as cores nacionais, o que já não é pedir pouco. É a velha questão do Schein e do Sein.

Desejo a maior sorte à equipa portuguesa, porque gosto de futebol e de jogos bem disputados, mas peço aos colegas jornalistas que não lhe façam a estátua – apesar da musculatura do Ronaldo ser de fazer chorar de desejo a humanidade – porque eles ainda não a merecem.

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6 thoughts on “A bola

  1. Very good point and excellent content!
    There should be much more than just “football culture” while the country keeps on sinking

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  2. Parabéns !
    Penso exactamente da mesma forma .
    É pobre quando um jornalista (?) se limita a bajular individuos cuja oralidade não vai além do « Tà?! »….« a gente vamos ganhar…» e que fazem da ostentação e do mau gosto o seu « modos vivendus ».
    Sinceramente,n-ã-o há paciência.

    judite

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    1. Nem mais Judite. Na minha opinião os jogadores de futebol deviam limitar-se a fazer bem aquilo para o que são, regiamente, pagos, que é jogar bom futebol. Quero lá saber que carro conduzem, o que vestem , ou com quem dormem…Mas a culpa é também de algum jornalismo (???) ao serviço das quotas.

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  3. Pode crer, Helena. Já estou enjoada com tanta reportagem que não interessa. Ainda hoje vi que o Manuel José já se queixou do “folclore” em que se está a tornar… Uma reportagem pôs uma música pop (nada contra a música como estilo, leia-se) enquanto a seleção viajava no autocarro – ar menos profissional não poderia ser criado:) Enjoo.

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