αντίο Euro?

1. Ou eu estou a ver tudo mal ou alguém perdeu o juízo. Talvez valha a pena começar por lembrar o óbvio: Alexis Tsipras, líder da Syriza, a Coligação da Esquerda Radical, poderá ser, mas ainda não é, primeiro-ministro da Grécia. É caso então para perguntar com que legitimidade exige reunir-se com Angela Merkel e François Hollande para renegociar o memorando grego? A mais recente menina dos olhos da extrema-esquerda europeia e dos anti-merkelianos de serviço, que tem chantageado os europeus com a implosão da zona euro,  encontra-se hoje em Paris com o candidato presidencial Jean-Luc Mélenchon e amanhã em Berlim com Gregor Gysi e Klaus Ernst, do Die Linke. Evidentemente que tanto a chanceler como o presidente não o receberão.

2. Por princípio há que acreditar que quem governa sabe o que está a fazer. Até prova em contrário. E os gregos já deram demasiadas. Andamos todos a pagar a factura dos erros gregos do velho sistema Pasok-Nova Democracia e arriscamo-nos agora a pagar a incomensurável factura das ilusões da Syriza: ficar no euro e rejeitar o memorando.

O que alguns gregos ainda não parecem ter compreendido é que os alemães – esses gajos ricos, chatos e conservadores, que continuam acreditar que as dívidas são para ser pagas e que quem não tem dinheiro não tem vícios – não têm vontade de subvencionar vitaliciamente Atenas e em simultâneo serem enxovalhados como nazis nas páginas da imprensa grega ( e não só). O cenário de um “Grexit”, saída da Grécia do euro – deixou de ser algo impensável.

Basta um “não” à União Europeia e dentro de três semanas Atenas não terá um tostão nos cofres públicos. Tão certo e inevitável como a morte é que vem aí mais sangue, suor e lágrimas e é preciso saber mobilizar as pessoas para isso. Não vender-lhes banha da cobra.

Uma vida sem a Alemanha significará mais austeridade para os gregos de uma vida com a Alemanha. Vale a pena pensar nisso. Ah e já agora recomenda-se a leitura desta análise publicada na Time.

 Greece might yet have to default and quit the euro zone. Its competitiveness problem is simply too great and its political leadership too weak. But if it goes down this path, Greece will find that the markets will refuse to lend it money at reasonable rates unless it does pretty much the same things Germany is asking it to do. Life without Germany will mean a lot more austerity than life with Germany.

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