Escolhas

Nos grandes momentos de clivagem, quando as águas se separam e é preciso escolher não pode haver dúvidas. Há demasiados anos que a Guiné-Bissau paga uma factura chamada Forças Armadas: paga-a com vidas humanas, com situações de risco generalizado e instabilidade política. O essencial do problema guineense é isto. Por isso na hora da escolha a opção só pode ser: a condenação firme do Golpe de Estado, a responsabilização criminal dos seus autores, o regresso à ordem constitucional (e não a 80 ou 85 por cento dela), o estacionamento de uma força de intervenção  mandatada pelas Nações Unidas  e o fim da impunidade para os crimes assassinatos e políticos cometidos no país.

Breve ponto da situação :

–         Depois de ontem terem sido anunciados dois nomes, Manuel Serifo Nhamadjo  e Ibraima Sory Djaló, o primeiro para  Presidente da República e o segundo Presidente do Conselho Nacional de Transição, ambos disseram hoje não estar disponíveis.

–         A União Europeia deverá afirmar-se “pronta” a aplicar sanções contra os responsáveis pela instabilidade na Guiné-Bissau, de acordo com o projeto de conclusões da reunião de chefes de diplomacia europeus de segunda-feira, a que a Lusa teve hoje acesso.

–         Fonte diplomática disse à agência Lusa que na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, no Luxemburgo, não será ainda decidida a aplicação de sanções, mas revelou que o processo que poderá levar às mesmas terá efetivamente início na próxima semana, com uma análise de quem poderá figurar da eventual lista de indivíduos sujeitos a medidas restritivas por parte da UE.

–         O porta-voz do Comando Militar, tenente coronel Daba Na Walna que tomou o poder na Guiné-Bissau no passado dia 12 disse hoje que qualquer força estrangeira enviada para o país seria considerada pelos militares uma força invasora “porque o país não está em guerra”.

–         A fábrica de processamento de caju do ex-militar português Alpoim Calvão na Guiné-Bissau, na ilha de Bolama, no arquipélago dos Bijagós, vai suspender a atividade no sábado por falta de gasóleo

–          A Associação Afecto com Letras, de Pombal, está a reunir comida e material médico-cirúrgico para enviar para a Guiné-Bissau.

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2 thoughts on “Escolhas

  1. o estacionamento de uma força de intervenção mandatada pelas Nações Unidas

    Como podem as Nações Unidas mandatar aquilo que seria efetivamente uma invasão militar de um país no qual reina a paz?
    Desde quando têm as Nações Unidas poder para impôr, pela força militar, soluções políticas aos Estados independentes?

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    1. Luís paz e estabilidade é algo que há muito falta na Guiné. Desde 1980.
      Antes do presente golpe militar o governo guineense estava a considerar/negociar o estacionamento de uma força de intervenção internacional sob mandato da ONU. Soberania implica respeito pelos direitos, liberdades e garantias, algo que os militares guineenses pisam com a bota cardada.

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