Autointitulado Comando Militar reivindica intervenção armada

Bissau, 13 abr (Lusa) – As Forças Armadas da Guiné-Bissau apresentaram
hoje um autointitulado Comando Militar através do qual justificaram a intervenção
armada de quinta-feira como tendo sido feito em defesa da instituição contra
uma alegada agressão externa.

Em comunicado, o autointitulado Comando Militar diz que “não ambiciona
o poder”, mas alega ter sido forçado a agir para defender as Forças Armadas
guineenses de uma suposta agressão que seria conduzida pelas Forças Armadas
de Angola no âmbito da União Africana.

O Comando Militar afirma ter na sua posse um “documento secreto” que
teria sido elaborado pelo Governo de Bissau dando mandatado as forças angolanas,
ao abrigo da União Africana, para atacarem os militares guineenses.

“O Comando Militar está na posse de um documento secreto visando legitimar
a intervenção de Angola, através de um mandato do Conselho de Segurança
e Paz da União Africana. Esse documento redigido por juristas (cujos nomes
os militares dizem não revelar por enquanto) é assinado pelo primeiro-ministro,
Carlos Gomes Júnior, e pelo Presidente interino, Raimundo Pereira”, diz
o comunicado.

“O Comando não ambiciona o poder, mas foi forçado a agir desta forma
para se defender das investidas diplomáticas do Governo guineense, que visa
aniquilar as Forças Armadas da Guiné-Bissau através de forças estrangeiras”,
salienta ainda o documento que deve ser lido na Rádio Nacional (única estação
do país que foi autorizada a voltar a emitir).

O comunicado do autodenominado Comando Militar lembra ainda o facto
de coincidentemente ser Angola o país que preside neste momento o Conselho
de Paz e Segurança da União Africana, para dar ainda mais consistência às
alegadas diligências com vista a uma alegada intervenção armada externa
no país.

“O Conselho de Paz e de Segurança da União Africana é composto por 15
membros que o presidem rotativamente um mês cada, por coincidência quem
preside ao órgão neste preciso momento é a República Angola”, enfatiza o
documento salientando ainda que um comunicado do Governo de Luanda deixava
entender a possibilidade de uma intervenção armada na Guiné-Bissau.

“Esta pretensão do Governo guineense vem expressa no comunicado do Governo
de Angola no seu último parágrafo”, diz o texto do autodenominado Comando
Militar, em alusão ao comunicado do Governo de Angola no qual é justificada
as razões da retirada da Missão Técnica de Apoio ao processo de reforma
do setor militar guineense (Missang).

Num outro comunicado, o Comando Militar apela ainda à população, sobretudo,
as de Bissau, a se abster de atos de vandalismo e de violência que possam
colocar em causa a ordem publica.

Os dois comunicados não possuem assinatura de nenhum militar.

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