A união faz a força ? Digam isso às mulheres…

Em a Insustentável Leveza do Ser Milan Kundera escreveu que o abismo maior é o da cama de casal, entre dois corpos, o da mulher e do marido. Talvez.

Tenho para mim que os maiores abismos e as traições mais obscenas nas relações humanas são entre mulheres. Entre as leoas solitárias que não dão direito de permissão a outras fêmeas na mesma savana, para gáudio dos leões a quem é sempre reservado o direito da primeira dentada na gazela.  As mulheres são avarentas de espaço.

Foram elas que inventaram o mito da “supermulher”, da “supermãe”, da “superamante” (lembro-me vagamente da letra de uma música trash que dizia o sonho de um homem era uma lady à mesa e, pardon my french,uma puta na cama…). São as mulheres (algumas) que passam dias a contar calorias, a sofrer as torturas do ginásio, a ficar de mau humor porque na Zara se esgotou aquela saia dourada – que se não fosse vista pelas lentes dos óculos trendy poderia ser apenas um acessório da mais velha profissão do mundo…– ou porque o corpo vai obedecendo à lei da gravidade. E são elas as piores inimigas das outras mulheres, em particular daquelas que não querem prolongar com cirurgias e artifícios a juventude ou as que resistem a ser magras como cães vadios. Como se uma mulher gorda não pudesse ser bela. Ou fosse menos mulher. Ou como se uma mulher feia não tivesse os seus atractivos. Ou como se a vida de uma mulher se resumisse à eterna procura do homem perdido.

 O pior de todos os abandonos, aquele que as mulheres sofrem em silêncio e que não consta em carta alguma de direitos civis, é o das outras mulheres.

Desculpem a divagação anterior, mas isto tudo veio a propósito de um estudo de duas universidades israelitas (Ben Gurion e Ariel), divulgado pela Der Spiegel, onde se recomenda às mulheres para não enviarem fotografias nas candidaturas. Porquê? Simples: os departamentos de recursos humanos são maioritariamente femininos e mulheres atraentes (além de inteligentes e bem qualificadas) são vistas como uma ameaça, logo excluídas do processo de selecção.


One thought on “A união faz a força ? Digam isso às mulheres…

  1. Concordo inteiramente, Helena. Escrevi já sobre isso no meu AE. Um dos textos é “Woman, don´t preach”. Outro é “Quem vê géneros não vê corações”. O seu texto traduz, e era bom que não fosse verdade, o que penso. Obrigada, pela (dura) verdade.

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