O consumo de iogurte pode matar…ou está tudo parvo

Estamos no zénite da Idade da Sacralização do vegetarianismo. Uns minutos de conversa sobre os benefícios de uma alimentação isenta de carne, aliviam a má consciência e criam um ambiente muito ohmmmm em qualquer almoçarada de tofu ou seitan.

A Meca ou o Vaticano do vegetarianismo aqui na Alemanha é a “Veggie World”, em Wiesbaden”, a feira da alimentação “ética”. Lá se encontram vegetais biológicos (clap, clap,clap), variedades de queijo “No- muh” (sem leite) e todas as variações possíveis de carne artificial, do mais vulgar facon (substituto vegetal do bacon feito  à  base de proteína vegetal), às vegi-Bratwurst, até ao gulasch e aos hambúrgueres. Não deixa de ser extraordinária uma filosofia de alimentação que renega a carne, mas que quer ter a sensação de a comer. É quase como um comunista que vai à missa. Adiante.

O problema é que alguns veganos tem vindo a adoptar progressivamente o puritanismo dos fundamentalistas religiosos. Numa espécie de Tratado de Tordesilhas verde dividem o mundo em dois: de um lado (o deles) está o “Bem” e do outro o “Mal”. Dois exemplos: nesta feira um dos expositores, controverso é um facto, afirma (sic) que “o consumo de iogurte pode matar”, outro veste uma tshirt chamando (sic) “assassinos” aos “carnívoros”.

 Repito o que já aqui escrevi: respeito as opções alimentares de cada um, não tenho nada contra vegetarianos, pelo contrário indignam-me as condições a que estão sujeitos certos animais para consumo e procuro comprar produtos biológicos e fair trade. Agora não me venham com pseudo-éticas, nem proselitismos. Uma cenoura é um ser tão vivo como uma galinha.

E é sempre bom lembrar que a produção de certos produtos vegetarianos, como a “vaca sagrada” (desculpem não resisti) tofu, tem graves consequências ambientais. Produzir um quilo de tofu equivale a libertar 3 quilos de CO2 para a atmosfera ou seja tanto como a produção de um quilo de carne galinha industrial. Isto para não falar na soja geneticamente modificada ou no aumento do preço dos alimentos em África e na América do Sul devido ao facto dos terrenos férteis estarem a ser concessionados a multinacionais ou a investidores estrangeiros ou ainda na desflorestação provocada pelo plantio de soja (para fins alimentares e para essa quimera pseudo-ecológica que são os biocombustíveis).

Haja bom senso. Ohmmmm.

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9 thoughts on “O consumo de iogurte pode matar…ou está tudo parvo

  1. alimentação que renega a carne, mas que quer ter a sensação de a comer

    Não tem nada de contraditório. As pessoas podem gostar da textura da carne mas no entanto não a quererem comer. As pessoas podem perfeitamente não querer comer um determinado alimento, apesar de gostarem dele.

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  2. Gostaria que a Helena me esclarecesse sobre como é que a produção de um quilo de tofu pode levar à libertação para a atmosfera de três quilos de CO2. Em que atividades, explicitamente, é esse CO2 gerado?

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  3. 🙂 Ora, é isso tudo. Não ao fundamentalismo porque o problema é essa divisão entre eles, os maus, e nós, os bons. Também se passa o mesmo como AO:) Quem adota é mau, necessariamente, visto de quem resiste. E com tantas outras questões.
    Eu aprecio que haja produtos alternativos por causa de problemas de saúde, infelizmente, mas é tudo.

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