Carnaval na Guiné-Bissau

Fotografia de 2007 do Flickr

Bissau, 21 fev (Lusa) – Dezenas de milhares de pessoas participam desde segunda-feira em Bissau nos festejos de carnaval, este ano com a palavra “paz” a ser a mais ouvida e a sucederem-se os apelos à estabilidade, entre danças, músicas e muita cor.

O primeiro desfile de carnaval ocorreu ao fim da tarde de segunda-feira, com a exibição de cinco regiões, estando marcada para hoje a arte de outras tantas, sempre com apelos à paz e estabilidade na Guiné-Bissau, ou não fosse o lema deste ano “O carnaval para a promoção da cultura da paz e do desenvolvimento”.

Segunda-feira à tarde, escassas horas após confrontos entre militares e polícias na baixa de Bissau, provavelmente muitos dos participantes dos desfiles nem sabiam do ocorrido. Mas foi de paz que homens e mulheres, adultos e crianças, falaram ao longo do percurso da Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria, onde se concentraram muitos milhares de pessoas.

Nas palavras e nas canções, nas esculturas e nas roupas, foi a paz que desceu a avenida nos grupos de Bafatá, de Bolama, de Brá ou de Cacheu, de Oio também.

“Só através da paz é possível termos estradas que liguem todos os distritos”, dizia uma mulher do grupo de Bolama. E acrescentava depois a rainha de Nambucare, do desfile de Brá: “com paz vamos adiante, rumo ao desenvolvimento e à justiça”.

Brá, e depois Oio, foram mais longe: encenaram uma reconciliação entre as forças armadas, colocaram “militares” a deitar armas fora e dançar com jovens vestidos de branco. E foram meninos e meninas de todo o país a dizer que têm o direito de ter paz e de ter escola, entre músicas, danças e trajes tradicionais, que hoje também se vão repetir avenida fora.

Muito longe dos carnavais “ricos” de outras paragens, em Bissau dança-se quase sempre descalço, às vezes mesmo quase sem roupas, improvisa-se instrumentos musicais, até de cascas ocas de árvore, e usam-se como adereços coisas tão bizarras como um pedaço de espremedor de esfregona partido enfiado na cabeça.

Depois são as cores e os ritmos, são as esculturas feitas de lama e depois pintadas, é a mesma lama a cobrir corpos, umas vezes de branco outras de castanho, uns espelhos pequenos pendurados, por vezes corpos esfregados com óleo e sementes coladas na pele.

São as cordas e as fitas coloridas na cabeça, pedacinhos de lata, saias feitas de palha, pedaços de borracha de pneu à cintura, azagaias e lanças, ossos trabalhados e dança. Cacheu começa por encenar um baile, muito idêntico aos das províncias portuguesas, e mostra depois, através da dança, cenas do quotidiano do interior da Guiné-Bissau.

“A dança feita nas aldeias, onde não há discotecas”, diz uma voz ao microfone, antes de voltar aos apelos à unidade e de “aparecer” Malam Bacai Sanhá, o Presidente que morreu no mês passado, evocado em representações feitas de barro, papel e cola.

É assim o carnaval guineense: pobre, mas cheio de alegria, ritmo e tradições, de encenações do que é mais caro ao povo e do trabalho nas bolanhas (campos de arroz).

 

PS- Estou em contagem de decrescente para chegar a Bissau… E o tempo que teima em não passar.

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3 thoughts on “Carnaval na Guiné-Bissau

  1. Apesar da inveja ser um sentimento mt feio, como te invejo pelo profissionalismo, coragem, oportunidades e pela peessoa k es.
    Um grande beijnho.

    Gostar

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