E os paizinhos não tem uma função essencial na educação dos filhos?

Disclaimer: Desconfio dos extremismos. Costumo dizer que não sou feminista, mas feminina. Agradeço as conquistas dos movimentos de defesa da mulher embora seja contra o grito da década de setenta de “primeiro eu!”.

Recuso qualquer regresso a uma ditadura de “fadas do lar” ou um discurso culpabilizador da mulher-mãe-trabalhadora. Insisto que a opção de modelos de vida – ser ou não ser mãe, ficar em casa a cuidar dos filhos ou não – deve ser exclusivamente das mulheres e em plena consciência.

Como escreve Elisabeth Badinter, num livro de que já falei aqui, “quer se queira quer não, a maternidade é apenas um aspecto importante da identidade feminina e já não o factor necessário à aquisição do sentimento de plenitude do eu feminino”. Seria bom que alguns, homens e mulheres, o entendessem, a começar pelos representantes da igreja católica.

No Portugal do Século XXI, pelos vistos, ainda há quem não perceba que as mulheres são sujeitos de direitos inalienáveis – e o direito à autodeterminação , incluindo o exercício de uma profissão, é um deles.

Na minha tripla condição de mãe, católica e profissional sinto-me injuriada quando leio que o novo cardeal português D. Manuel Monteiro de Castro recomenda que a mulher deva “aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, a educação dos filhos”.

A minha vida profissional faz com que viaje, por períodos mais ou menos longos, outros continentes. Já me aconteceu a aterrar de madrugada vinda de Kuala Lumpur e partir à noite para o Cairo. É uma opção minha, da minha família e apoiada por um marido emancipado, que acredita que o estatuto de pai não é menor do que o de mãe.

Os olhares de suposta comiseração, “viaja e trabalha a tempo inteiro, coitadinhas das miúdas”, nunca me (nos) incomodaram. Lamento.

Tenho duas filhas maravilhosas, felizes, equilibradas, excelentes alunas, a quem procuro proporcionar tempo de qualidade. Elas sabem que a mãe as ama muito, que está lá sempre para elas, que tem um ouvido atento, nem que seja no Skype ou num chat no Facebook, mas também sabem que mãe é mais do que isso. É antes de mais uma mulher e uma mulher independente. Alguém que as incentiva serem autónomas, fortes, a pensarem pela sua cabeça e fazerem as suas opções e, sobretudo, a serem alérgicas às limitações de género e às “normas” ditadas pela “natureza”.

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3 thoughts on “E os paizinhos não tem uma função essencial na educação dos filhos?

  1. Igreja católica e machismo feminino. É, existe mesmo. Ai as minhas tias…:) A cada uma as suas opções. Mãe ou não, profissional ou não, casada ou não – livre. Livre para escolher. E as fadas do lar que não imponham padrões sobre as outras. Eu arrumo a casa mas não me digam para o fazer!:) Posso mudar logo de opinião!:)

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  2. concordo em que o grande assunto é a liberdade
    escolher a nossa vida, o problema é que sempre tivemos a possibilidade de escolher, mas carregadas de culpas
    na minha idade e logo de tanto caminho acredito que o problema está em nós, carregando culpas que a sociedade impõe.

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