A limpidez do sofrimento

O Iémen, o mítico reino da rainha de Sabá, existe na consciência do mundo ocidental como um país improvável. De beleza sublime, majestosas montanhas e desertos cruzados por beduínos, e história milenar. É um pais mais-que-imperfeito onde até crianças carregam Kalashnikov que lhes dão até aos joelhos como se de brinquedos se tratassem. Perigoso para estrangeiros. Prisão para quem nasce mulher.

Esta imagem de Samuel Aranda, que venceu o World Press Photo 2011, tirada numa mesquita que servia de hospital em Sanaa, devolve-nos  a dimensão humana. Conta uma história, evoca um mundo. É fresco de um sofrimento intolerável e de uma ternura absoluta que podem ser sentidos a milhares de quilómetros de distância.

Uma mãe consolando um filho, uma mulher abraçando o homem que ama. Uma Pietà a negro que nada nos prepara para consolar, não ser talvez o medo de dor igual.

A fotografia dispensa todas as palavras, fala pela região inteira. Pelo Iémen, pelo Egipto, pela Tunísia, pela Líbia, pela Síria. E sacode-nos a nós que vivemos do lado confortável da vida, diz o que sabíamos. Que há algo mais do que política. E que a coragem e compaixão são que se mantém inextintos.

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4 thoughts on “A limpidez do sofrimento

  1. E o sofrimento dum ser humano a quem condenaram a não poder sentir a brisa no rosto. A prisão perpétua da liberdade duma mulher assume dimensão igual à do sofrimento do guerreiro.

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