Gira o carrossel da vida

Gosto de fotografias assim que dizem num olhar, numa cor esmaecida, todo o curso de uma história. A nossa. Menino, homem, velho. Gira o carrossel da vida.

Envolvidos que estamos por essa malha do quotidiano impiedosa eles não entram no nosso calendário. Esquecemos os nossos velhos. Chegamos tarde, sempre demasiado tarde.

Acredito que uma sociedade se define pelo modo como trata os seus velhos (e as suas crianças). Nas sociedades modernas gratidão é um daqueles sentimentos que passaram de moda.

 “Tão velho estou, de pálpebras baixas, acostumado apenas ao som das músicas, à forma das letras.

Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético dos provisórios dias do mundo: Mas há um sol eterno, eterno e brando e uma voz que não me canso, muito longe, de ouvir.

Desculpai-me esta face, que se fez resignada: já não é a minha, mas a do tempo, com seus muitos episódios.

Desculpai-me não ser bem eu: mas um fantasma de tudo.”

São linhas do poema de Cecília Meireles, “A Velhice Pede Desculpas”.

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4 thoughts on “Gira o carrossel da vida

  1. Absolutamente. Escrevi tb um texto já há alg tempo sobre o facto dos “velhos” não serem valorizados, neste caso, na sociedade portuguesa, ao contrário de outras que lhes dão imenso valor e ainda poder. Chamava-se QualIDADE. E escrevi-o porque me aflige este culto obsessivo da juventude, em várias frentes, esquecendo-se a experiência de vida, a história e os ensinamentos que deles podemos colher…

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