Bicicleta ou a saudade dela

Tschk tschk tschk tschk tschk, o som dos pedais. Prometem saúde e confortam-me a alma. Volto a ser menina quando me sento nela, de cabelos esvoaçantes, nariz e orelhas enregelados. Inspiro o cheiro dos dias felizes. Sou aquela índia que esfolava os joelhos, que pedalava por entre silvas e valados descobrir os tesouros do mundo a pedir descoberta. Com mais prudência é certo, menos velocidade, e com as mãos no guiador.

Troco-a demasiadas vezes pelo carro. Mestre dessa arte lenta e cansativa de trepar montanhas. Ou suave de deslizar na autoestrada. Ou de sair do alcatrão e mergulhar em descidas escarpadas. Quentinho, confortável, onde cabem as miúdas, o cão e os jornais, a tralha, a aventura por vezes, mas não cabe a nostalgia.

 “O Ciclista

O homem que pedala, que ped’alma

com o passado a tiracolo,

ao ar vivaz abre as narinas:

tem o por vir na pedaleira.”

Pois que por venha, pois então!

Alexandre O’Neill

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