Barbie: a inimiga da revolução

Em Teerão a polícia da moral aperta o cerco. Como deve ter poucas ocupações decidiu fazer aplicar estritamente o boicote contra as bonecas Barbie, decretado em 1996 para proteger a população contra a “influência da cultura ocidental que perverte os valores islâmicos”. De há três semanas para cá têm sido feitas razias às lojas que vendem a boneca da Mattel. Num acto de subversão os comerciantes vendem-nas em segredo.  A fatwa contra as Barbies surge depois  do McMashallah (“Macbravo”, versão iraniana do Mcdonald’s) e do SFC (KFC), da internet Halal, depois se de terem determinado quais os cortes de cabelo “imorais” e os milímetros de pele que podem ser expostos, e depois do líder supremo do Irão Ayatollah Ali Khamenei proibiu os homens de usarem gravata, acessório que considera um símbolo da “invasão cultural ocidental”.

É claro que em Teerão a cortina se levantou para um último acto. Distraídos que andamos com a primavera e o inverno no mundo árabe, com a tragédia imensa na Síria, esquecemos o Irão e a sua “revolução verde”, esquecemos Neda ? Neda só ambicionava uma coisa: ser como nós. Livre.

Repito o que já escrevi aqui no blog. O que se passa hoje no Irão do século XXI, esta indiferença perante o ser humano e os seus direitos individuais e esta sujeição aos preceitos totalitários dos guardiões da virtude alheia, tem a sua exacta correspondência nesse falido modelo dos talibans.

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