Estrelas cadentes

Leio-a com a ponta dos dedos. As agulhas verdes, finas, duras e húmidas das águas de Dezembro, são um afago áspero na palma da mão. Cheira a resina e a florestas do Norte, polvilhadas de neve, que por aqui tarda em cair. Tem porte de soberana. Sem raiz e sem amarras aquela é a árvore que me escolheu. E que colocarei na sala, coroada por uma estrela, adornada de bolas de vidro e de brilhos imitando o céu nas noites sem luar, como se de uma imensa árvore de desejos se tratasse.

“Respondem as estrelas cadentes que riscam a noite aos nossos desejos?”, pergunta-me com doçura a minha filha. Conto-lhe que quando era menina sempre que uma estrela se despenhava no firmamento negro repetia-lhe o mesmo pedido, estrela após estrela. Não se concretizou, talvez não tenha sabido escolher. Omito essa parte. Que sei eu das hipóteses do que a vida nos dá?

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s