Morreu o homem, o legado fica

Fotografia do blog Filatelia de Moçambique

Mia Couto escreveu que “a morte só existe quando há ausência”. Para alguns como Carlos Cardoso não há ausência, mas permanência. A coragem não tem prazo de validade. Já em vida o jornalista militante, o ativista político, o defensor dos direitos humanos e da liberdade de imprensa era um mito.

A 22 de novembro de 2000, Carlos Cardoso foi abatido a tiro numa rua de Maputo. O jornalismo moçambicano perdeu uma figura única, um homem comprometido com a justiça e a verdade. Carlos Cardoso investigava na altura um esquema de lavagem de dinheiro no valor de 14 milhões de dólares  relacionado com a privatização do Banco Comercial de Moçambique.

Nota breve: Surprise, surprise. A corrupção em Moçambique aumentou nos últimos três anos, de acordo um relatório apresentado nesta terça feira em Maputo pela Transparência Internacional.

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5 thoughts on “Morreu o homem, o legado fica

  1. A corrupção não é muito grave. O que interessa é que Moçambique está a crescer.
    A corrupção só é grave quando faz dinheiro sair do país (para contas na Suíça, por exemplo).
    Não se deve condenar a corrupção a priori. Muitos dos países que mais rapidamente crescem são ou foram extremamente corruptos (por exemplo, os EUA no século 19).

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    1. Luís dito de uma forma simples: corrupção gera pobreza, pelo que é duplamente imoral (Gabriel).

      Vendo as coisas de um ponto de vista económico a corrupção:

      – Inibe o investimento privado ao funcionar como uma espécie de “imposto”. No caso investimento directo estrangeiro ela representa um “custo informal” que entra como factor de desconto no cálculo da rentabilidade de projetos de investimento, o que faz com que empresas decidam investir em países onde o nível de corrupção é menor;

      – Pode afectar negativamente a competitividade do país ao elevar o custo do investimento e tornar o ambiente de negócios menos estável, uma vez que as empresas não sabem ao certo se terão que desembolsar um adicional para ter seu negócio viabilizado;

      – Afeta negativamente a eficiência da administração pública, com efeitos secundários negativos sobre a produtividade da economia como um todo visto que, como resultado de favorecimento, a empresa vencedora de uma licitação pública nem sempre é a mais eficiente, o que leva à oferta de bem ou serviço de menor qualidade;

      – Gera uma perda de arrecadação tributária ao incentivar, em muitos casos, a sonegação de impostos.

      Estes são apenas alguns exemplos retirados de um estudo das Nações Unidas sobre o impacto da corrupção no Brasil, mas que se aplicam a outros países.

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      1. Helena,

        se a corrupção gerasse pobreza, como Você diz, então não haveria forma de explicar o enorme crescimento que muitos países enormemente corruptos exibem. Por exemplo a China ou a Índia atuais, ou os EUA no século 19.

        É um facto que a corrupção inibe o investimento estrangeiro, o investimento por parte de empresas que a ela não estão habituadas. Por isso mesmo a corrupção é tão vilipendiada no mundo atual – porque as empresas multinacionais a detestam e fazem propaganda contra ela.

        Mas, objetivamente, o facto é que a corrupção não inibe necessariamente o crescimento económico.

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  2. O comentário acima suscita-me reacções ambíguas. A questão da corrupção só não é grave se nos mantivermos viciados em remeter a complexidade do social para o económico. Mas resta o inultrapassável problema moral. É sobretudo ele que regula as sociedades contemporâneas (pós-tradicionais; pós-regimes autoritários; pós-coloniais; e demais «pós»). O que preocupa em países como Moçambique é o facto de a sobrevalorização do tema da corrupção dar a ideia de ser acima de tudo um produto de importação. Como a pequena (e grande) criminalidade (em especial a urbana) no ocidente não tem os efeitos gravemente nocivos que tem nas sociedades da periferia – é até «intelectaulmente interessante» e «politicamente enquadrada» -, esse problema acaba desvalorizado em África no plano da acção política. É ele que é crucial para aqueles países, bem mais do que a corrupção. A segurança e previsibilidade das relações sociais do dia a dia são fundamentais para o progresso de pessoas e sociedades (em liberdade). Essa percepção, na área da gestão do poder, está bloqueada precisamente pela hipervalorização do tema da corrupção em África. O dilema é ou uma ou outra. Por isso, acabo por compreender as razões invocadas acima. Ou não…

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