Confesso: sou excêntrica. Nesta época de comunicação instantânea ainda uso esse meio de comunicação anacrónico que é o postal. Gosto das imagens de longínquas latitudes e povos antigos, de praias onde o vento corre a direito, de animais e sabores que não sei contar.
Não faço viagem sem remeter pedacinhos de mundo com um selo bonito. Pior ainda. Além dos que escrevo para as filhas e os amigos, em letra pequena e redonda, nostálgica da alegria de esperar pelo carteiro e desses que a caixa de correio se enchia de envelopes manuscritos com estampilha e carimbo, envio sempre um postal para mim própria.
Uma espécie de reminder de mim para mim, para nunca me esquecer na voragem do dias que “existe o mar e as praias nuas,/ Montanhas sem nome e planícies mais vastas/Que o mais vasto desejo”.
PS – O post acima veio a propósito de uma notícia que li no Die Zeit: o email está em vias de extinção. Desaparecerá como os seus congéneres em papel. Nos Estados Unidos, em 2010, a utilização de correio electrónico caiu oito por cento e na faixa etária dos 12 aos 17 anos quarenta e nove por cento. Para a geração Facebook o email é tão formal como uma carta, portanto uma “chatice”, além disso a nova geração de smartphones permite comunicar em tempo real através de chats. O mundo dos negócios era o último bastião do email mas já começa a prescindir dele, porque em média se perde semanalmente 5 a 20 horas a ler e a responder a emails. Há mesmo empresas que instituíram o “Email free day” apostando na “comunicação instantânea”.