1. Em Berlim vive-se uma situação deveras curiosa. Um “não-partido” de geeks, chamado os Piratas, que ganhou os seus galões a defender a liberalização das drogas leves, a privatização da religião, a proibição da videovigilância policial e o fim dos direitos autorais tomou de assalto a Rotes Rathaus. Foi o verdadeiro vencedor da noite eleitoral e colocou todos os membros da sua lista, 15, no Parlamento regional. Metade deles tem menos de trinta anos e apesar de saber mexer bem num computador e não tem a menor noção de política, de finanças ou de economia.
Constato apenas que há um efeito útil neste voto de protesto dos eleitores berlinenses: o de acordar os restantes partidos ditos “estabelecidos”. Para a chanceler e particularmente para o cadáver em que se tornou o partido liberal a noite foi calamitosa o que nada de bom augura na coligação governamental, que aliás entrou em processo suicidário… A Europa que vá pondo as barbas de molho.
2. Sabe qual é o segundo país no mundo, a seguir ao Afeganistão, onde se regista, segundo dados do Banco Mundial, a maior taxa de mortalidade infantil entre crianças com menos de cinco anos? Dou-lhe uma pista: começa por “a” e a língua oficial é o português… Deixemo-nos de meias palavras ou de pudores politicamente correctos: este índice é uma tragédia vergonhosa. Diria mesmo obscena. Ofende-me que para garantir negócios ou as “relações bilaterais” com Angola seja preciso ser-se conivente a solidão e olhar devastado daqueles meninos.
A avaliar pelas propostas dos Piratas aqui detalhadas, eu diria que esse partido surge precisamente para substituir o partido liberal agora transformado em cadáver. Porque essas propostas são, precisamente, liberais, nada mais que isso.
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Gostaria de obter o comentário da Helena sobre o seguinte post:
http://blasfemias.net/2011/09/19/tresler-2/
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