A Lunda-Norte ali tão longe, aqui tão perto

São eternos. Quase tão perene como eles é o horror que perpetuam. O brilho de cada diamante angolano é sujo. Encerra um inferno de exploração, humilhação, abuso, tortura, crime e corrupção.

Em “Diamantes de Sangue – Corrupção e Tortura em Angola”, lançado hoje em Lisboa, o jornalista angolano, Rafael Marques – distinguido internacionalmente pelo seu trabalho em defesa dos direitos humanos – denuncia as condições de escravatura sob as quais se exploram as pedras preciosas angolanas. Com a conivência dos Generais, do MPLA e do Estado português (através da sua participação na Endiama, a Empresa Nacional de Diamante de Angola). “Portugal é um dos países que mais apoia e legitima a corrupção em Angola”.

Vale muito a pena ouvir a entrevista de Rafael Marques à DW e ler a entrevista dada ao Público.

Os líderes autoritários temem a sua própria sombra mais do que ninguém. Para se manter 32 anos no poder naquela estrutura cometem-se crimes e são esses crimes, é a ideia do que foi necessário fazer para manter o poder, que os atormenta, não é tanto a população. É como Khadafi. Quando os líbios saíram à rua, e até propuseram negociar com ele, se o tivesse feito, eventualmente tê-lo-iam deixado na sua tenda. É esse elemento que é difícil equacionar no raciocínio dos líderes autoritários: quando dizer basta e largar o poder de forma a que se possam sentir seguros.

E há um outro aspecto importante: os parceiros estrangeiros, que normalmente até alimentam estes regimes. Por exemplo, a saída de José Eduardo dos Santos é vista por muitos portugueses como negativa – estou a falar de grandes grupos económicos, que fizeram investimentos ou absorveram investimentos angolanos por via da grande corrupção e receiam ficar expostos a que toda esta informação venha ao de cima, se o indivíduo que facilita essas engenharias acaba por sair do poder.

Há um grupo muito poderoso de forças económicas e políticas, a nível interno como externo, que o aconselham a ficar, já não tanto porque acreditam nas suas políticas, mas como forma de preservarem os seus negócios, os seus próprios interesses. Ele agora passa a ser refém dos interesses externos e daqueles que o rodeiam.

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