Em causa própria

A visita do Papa  à Alemanha tem gerado um surto de imbecilidade considerável no país. Infelizmente, nada de novo.

A convite de todas – t-o-d-a-s – as fracções parlamentares, Bento XVI irá discursar no Bundestag, no próximo dia 22 de Setembro. Falará não como líder religioso, mas como chefe de Estado do Vaticano.

A poucos dias da visita um grupo de deputados da extrema-esquerda parece sofrer deum mal comum na política:  amnésia . Cheios de si  anunciaram que irão boicotar a visita papal. Curiosamente nunca os ouvi protestar contra outras “ditaduras” e  outros “Papas”, como o querido líder da Coreia do Norte ou a diatdura vestida de Armani chinesa. Nem contra outros líderes religiosos.

Já aqui escrevi que  grande divisão na Europa não é entre esquerda e direita, países ricos e pobres, entre os da “velha” ou da “nova” Europa. A grande divisão é cristãos e os que os abominam. Hoje a maioria cristã é uma maioria ameaçada. Na Alemanha serão quase cinquenta milhões de pessoas entre católicos e protestantes. Há por alguém que nos defenda?

 “Enquanto não houver um Papa que seja mulher, lésbica, negra, de preferência não crente, e que vote nos EUA no Obama, os Papas, em particular este, são alvos preferenciais. ”

Pacheco Pereira

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5 thoughts on “Em causa própria

  1. Eu não sei em que termos é que os deputados da extrema-esquerda boicotarão a visita papal ao Parlamento alemão, mas parece-me óbvio que essa visita merece ser boicotada, na medida em que o Vaticano não é um verdadeiro Estado, com uma população definida e democrático. O Vaticano é, de facto, a religião católica.

    Por outro lado, é evidente que quaisquer deputados têm o direito de faltar a qualquer sessão parlamentar, incluindo sessões nas quais o Parlamento recebe um líder estrangeiro qualquer.

    Sobre os cristãos serem a maioria, permito-me ter algumas dúvidas. A maioria dos alemães (tal como a maioria dos europeus em geral, incluindo os portugueses) está-se, hoje em dia, marimbando para a religião.

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    1. Gi, respeito quem acredita, quem tem dúvidas, quem é agnóstico ou ateu. Tenho bons amigos budistas, muçulmanos e até de esquerda : ).
      O que me indigna mesmo éa dualidade de critérios, que o respeito que é devido às minorias ( e ainda bem) não seja aplicado às maiorias. Era mesmo um desabafo.

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      1. “que o respeito que é devido às minorias ( e ainda bem) não seja aplicado às maiorias”

        Qual maioria? Se o papa vai ser recebido no Parlamento alemão como chefe de um Estado e não como chefe de uma religião, então boicotar essa sessão parlamentar não é faltar ao respeito a nenhuma religião nem a nenhuma maioria…

        A Helena perceba que essa coisa do papa como chefe de um Estado não passa de um artifício, de uma mentira, de areia atirada para os olhos, que as próprias pessoas que atiram abandonam assim que lhes dá jeito. O Estado do Vaticano não existe. O papa é apenas e tão-somente o chefe de uma religião. E, como tal, nada tem nada que ser recebido por nenhum Parlamento (embora possa sê-lo, claro).

        Aliás, pergunte-se, o que irá o papa dizer ao Parlamento alemão? Inevitavelmente, irá dizer aquilo que a nenhum chefe de Estado estrangeiro seria permitido – que as leis alemãs devem ser neste ou naquele sentido. O papa irá ao Parlamento alemão dizer que as leis alemãs devem defender a vida, contrariar o aborto, etc etc etc – assuntos em que jamais seria permitido a qualquer chefe de Estado estrangeiro em visita à Alemanha imiscuir-se.

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