O terrorismo pode ser louro

Os terroristas vão experimentando e medindo a nossa resposta. E conseguem sempre surpreender-nos.

Quando somos confrontados com um massacre cinicamente planeado como o de sexta-feira na Noruega, um pais cartão postal, escapam-se-nos as classificações. Dizer que foi loucura é uma explicação fácil de mais para a destituição de misericórdia, para a barbárie de Anders Behring Breivik. De uma forma pérfida o terrorista louro, fotogénico, de olhos azuis, explorou o que faz da Noruega um país extraordinário. Uma sociedade justa, aberta, plural, sem medo, onde os políticos andam(vam) pelas ruas sem guarda-costas.

À medida que ultrapassamos o choque, vamo-nos apercebendo como muita coisa está a mudar por debaixo dos nossos olhos, embora muita coisa que esteja a mudar seja em si mesmo “antiga” sob novas formas. Quem pesquise o fenómeno da extrema-direita na Europa (como o Partido do Progresso norueguês de que Breivik foi membro) terá notado duas tendências: um aumento da predisposição para a violência e o surgimento de “lobos solitários”, ambos inspirados pelo terrorismo da Al Qaeda. A tragédia norueguesa revela o mesmo fanatismo, o mesmo totalitarismo, a mesma intolerância, o mesmo ódio ao outro do terrorismo islâmico.

Há vários anos que os sociólogos alertam que a próxima onda de terrorismo na Europa não virá da Al Qaeda, de grupos de extrema-direita. E que esta não é uma mera questão económica – de emprego, prestações ou alojamento social – mas sim cultural – a percepção  que determinados valores e forma de vida estão ameaçados. Seria bom que por essa Europa fora a direita e a esquerda democráticas deixassem de se entrincheirar nas suas posições maniqueístas e fizessem uma reflexão serena e profunda sobre os mitos do multiculturalismo.

Disse-o exemplarmente o primeiro-ministro norueguês Jens Stoltenberg, “cada vítima é uma tragédia”. Um filho, uma mãe, um pai , um irmão, um amigo, um vizinho.

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2 thoughts on “O terrorismo pode ser louro

  1. Há coisas que eu não consigo entender, e o terrorismo é uma delas: como se pode achar que se atrai simpatia para uma causa massacrando pessoas ao acaso?
    Diante deste horror, como li no Delito de Opinião, somos todos noruegueses.

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