Merkel em Angola

LUSA- O desenvolvimento das relações económicas entre a Alemanha e Angola, praticamente inexistente até ao fim da guerra civil angolana, tem tido na última década uma dinâmica crescente, interrompida, porém, pela crise económica e financeira internacional.

A visita oficial da chanceler Angela Merkel a Angola, na terça-feira e na quarta-feira, destina-se, por isso, a tentar impulsionar de novo o comércio entre Berlim e Luanda, segundo fonte diplomática contactada pela Lusa.

Desde o fim da guerra civil angolana, em 2002, as exportações alemãs para Angola subiram de 56 milhões de euros por ano para 384 milhões, no prazo de seis anos, até 2008.

Quanto às exportações de Angola para a Alemanha, também aumentaram consideravelmente, atingindo os 469 milhões de euros em 2008.

A crise financeira, porém, levou ao recuo das vendas de produtos alemães a Angola, que em 2010 recuaram para 263 milhões de euros, segundo o Instituto Federal de Estatística germânico.

O volume das exportações angolanas para a Alemanha, muito dependente do preço do petróleo nos mercados internacionais, chegou aos 228 milhões de euros, no ano passado, registando também quebra considerável devido às turbulências económico-financeiras a nível internacional.

Enquanto as importações alemãs são quase exclusivamente de petróleo e gás natural, três quartos das exportações para Angola são veículos e equipamentos industriais.

Entretanto, Angola tornou-se o terceiro parceiro comercial da Alemanha na África subsaariana, a seguir à África do Sul e à Nigéria.

Os industriais alemães mostram cada vez mais interesse em investir em Angola, embora a língua e a cultura de negócios “constituam o principal problema, a par da dificuldade de estabelecer relações pessoais” com empresários locais, sublinhou Romy Rösner, da Afrikaverein (Associação Empresarial Germano-Africana), em recente entrevista à Deutsche Welle.

Em 2007, foi criada uma iniciativa germano-angolana (DAWI) para promover a participação de empresas alemãs na reconstrução de infraestruturas em Angola.

Desde a primeira visita oficial do Presidente José Eduardo dos Santos à Alemanha, em fevereiro de 2009, passaram também a realizar-se fóruns anuais de empresários e responsáveis políticos de ambos os países, alternadamente na Alemanha e em Angola, o último dos quais em junho deste ano, em Munique.

O acordo de proteção de investimentos assinado entre Luanda e Berlim, em 2007, e a abertura de uma segunda linha aérea da Lufthansa para Luanda, em junho de 2009, foram outros aspetos assinaláveis das relações económicas bilaterais.

Além disso, Angola beneficia da ajuda ao desenvolvimento alemã desde 1992, ano em que foram criados três projetos, um dos quais relacionado com a integração de ex-militares na vida civil.

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