Morreu o preso 44904

Naquele dia 11 de Abril de 1945 dois homens descem do Jeep e contemplam a inscrição em letras de ferro forjado na entrada de Buchenwald: “Jedem das Seine”. Cinismo feito de ferro, falar de igualdade num local onde só existia,para os deportados, igualdade perante a morte. Não se sabe o que esses dois homens pensaram naquele momento histórico. O da libertação.  Conhecem-se os seus nomes: Egon W. Fleck e Edward A. Tenenbaum. Os primeiros americanos que entraram no campo de concentração são, numa magnífica ironia histórica, dois combatentes judeus de ascendência alemã recente.

O episódio foi recordado, sessenta e cinco anos mais tarde, em Abril de 2010, por um sobrevivente, pelo preso 44904. Na altura era um jovem de 22 anos que trazia ao peito um triângulo vermelho com a letra S, Spanier (espanhol), estampada a negro.

Com a morte de Jorge Semprún desaparece uma memória da barbárie moderna, uma memória do século XX. Desaparece o grande escritor, mas temos o privilégio de ficar com a obra – A Longa Viagem , A Escrita ou a Vida –  que nos recordará sempre que da Weimar de Schiller e de Goethe a Buchenwald distam apenas um punhado de metros.

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