Os inquisidores

Nalguns países o hímen funciona como um tranquilizante social. É o caso do Egipto onde as mulheres são vítimas de um duplo padrão moral onde tudo lhes é permitido a eles, os inquisidores, os guardiões da castidade alheia, nada lhes é tolerado a elas. A bem da virtude, da tradição ou do Islão – a lista de prerrogativas é extensa e sempre declinada no masculino – dilaceram-se a dignidade, cometem-se crimes contra a autodeterminação individual. A religião e a “tradição” sempre tiveram as costas largas – contudo existem limites, há que traçar uma linha clara sob pena de ficarmos entregues ao arbítrio dos que as controlam. Não há tradição, ou cultura ou religião que legitime o atropelamento dos direitos humanos, não há tradição que legitime que uma mulher seja sujeita a um teste de virgindade como aconteceu no Egipto a algumas manifestantes da Praça Tahrir. A contemporaneidade exterior conquistada via Facebook ou Twitter teima em demorar a chegar às mentalidades. Não me venham dizer que o feminismo está ultrapassado.


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