Cafés de Praga

As datas no papel amarelado cobre a mesa dizem que foi fundado em 1902. Parece ter parado no tempo, com os seus enormes espelhos reflectindo as mesas dos anos trinta , o tom rosa quente das paredes e a montra com merengues e tortas de tradição austro-húngara. Prazeres grandes e pequenos luxos servidos na bandeja da nostalgia.

No Café Louvre em Praga, sentaram-se Capek, Einstein e Kafka. Foi nele que os irmãos Capek fundaram o “Pen Club” checo em 1925.  O golpe comunista em 1948 romperia o idílio. O socialismo real não se compadeceu com a elegância e fez uma rasura estética. Devastou o interior do café  atirando-lhe  o mobiliário pelas vitrinas. Insustentável peso do ser. Esteve encerrado até 1992. Tantos anos depois foi devolvido ao seu encanto. Atravessei Praga inteira para beber um cappucino, nesse lugar onde o tempo parece não ter passado.

Antes de partir despedi-me de Praga noutro café. Nele registei uma imagem. A da escultura no balcão. As figuras parecem estonteadas, como se confessassem o peso de carregar o euro ( a que a República Checa não aderiu ). Kafka manda cumprimentos.

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