A Alemanha vista por…

Habitualmente ele não escreve. Toca e canta muito bem, o que já não é pouco. Depois de alguma insistência aceitou o convite para escrever aqui sobre a forma como vê a Alemanha. Minhas senhoras e meus senhores o palco, desculpem o post, é de Manuel Meirinhos dos Galadum Galundaina.

Sempre pensei em todos os países da Europa com latitudes acima da Península Ibérica como povos muito sérios, frios, profissionais, economicamente, industrialmente e socialmente evoluídos, mas ligeiramente limitados no que toca às relações pessoais, diversão, humor, tudo o que os países latinos tem de melhor e do qual ser orgulham.
A Alemanha não era exepção, além da enorme variedade de cervejas e salsichas que produzem, esta era a minha ideia do país. Imaginava também um povo muito homogéneo, tanto a nível cultural, social, económico, como a nível físico, todos altos e loiros, homens entroncados e mulheres volumptuosas. Entretanto, ao longo do tempo fui estabelecendo amizade com vários alemães e conhecidos que trabalham na Alemanha, e sei agora que o conceito que tinha é um bocado errado. Há enorme variedade de estilos, géneros, gostam de se divertir como toda a gente, tem muito boa música, e muito educados. Ou isso ou tive muita sorte nas amizades criadas..
Um caso concreto: quase todos os anos desde 2006 vou com o meu grupo tocar a uma pequena aldeia, Frommern, pertencente a Balingen, Schwaben, e a minha ideia não podia estar mais errada. Talvez por se localizar no sul da Alemanha integre traços latinos, talvez pela fronteira com a Itália, mas é gente extremamente afável, hospitaleira, adoram divertir-se, conviver e conhecer outras gentes, tocar, dançar e beber. Trata-se de um grupo de música e dança tradicional da região, composto por gente de todas as idades, profissões, níveis académicos, e exemplarmente bem organizado, tudo é tratado ao pormenor e nada fica descurado em qualquer área. Em relação aos grupos convidados não falta nada, tudo oferecido por eles, comida dormida, música 24h por dia, e toda a cerveja que conseguirmos beber! Ensinam-nos a sua música e danças, aprendem as nossas, e de todos os grupos que por lá passam.
Algo que me intrigou, por exemplo, é que nas actuações há bilheteira, e não há “borlas” para ninguém, por exemplo os pais de um dos elementos de seu grupo tem de pagar cada um o seu bilhete, as suas bebidas, etc. Quando quando conversei com um amigo sobre isso – em Portugal não é nada disto..- ele simplesmente respondeu: “Pois, por isso é que a Alemanha não está em crise…”

Dentro de 15 dias estaremos de novo nessa região, noutro festival que eles organizam, e estou muito contente por regressar. Talvez se trate de uma pequena ilha cultural, social, com um espírito especial, devido a tantos grupos de países diferentes se encontrarem todos nesse grande casarão, não sei ao certo, mas tenho um grande respeito e admiração por eles, e sempre que lá vamos regressamos a casa cheios de cultura, conhecimento de novos/outros métodos que podemos aplicar nos nossos contextos, e felizes por ter amigos assim.

Anúncios

3 thoughts on “A Alemanha vista por…

  1. O meu conhecimento é muito mais superficial, mas também tenho a melhor impressão dos alemães na Alemanha: um povo educado e acolhedor. A oferta cultural é fantástica, claro.
    A primeira vez que fui à Alemanha foi uma surpresa extraordinária, porque até então os alemães que conhecera fora tinham-me marcado como arrogantes, e não foi nada disso que lá vi, nessa e em visitas posteriores.

    Gostar

    1. Fico tão feliz por a ouvir dizer (escrever) isso.
      Haverá certamente alemães arrogantes ( como existem narizes empinados noutros povos por esse mundo fora) e pouco simpáticos, mas acredite que quando um alemão se torna amigo de alguém é para a vida, para os bons e maus momentos ( não hesita em arregaçar as mangas para lhe lavar a loiça ou em carregar caixotes para a ajudar numa mudança ). Da oferta cultural nem falo, aqui diz-se na brincadeira que onde estão dois alemães há um coro…

      Gostar

  2. Sim, a diferença é enorme entre o Sul e o Norte da Alemanha e é também apercebida por quem é alemão. Tendo nascido no Norte, quando fui estudar para o Sul nem a língua compreendia. Depois, há o maior catolicismo no Sul, face ao Luteranismo e Evangelismo do Norte e isso faz também uma enorme diferença.
    No resto, acho que atribuímos uma série de estereótipos aos alemães que se desmontam quando os conhecemos melhor.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s