O Gagarin no telhado

Ele está lá há mais de vinte anos, batido pelo vento e pela chuva. É um dos muitos encontros com a História que Bona oferece.

Nos jardins da Embaixada da então União Soviética, em Bona, perfilavam-se estátuas dos heróis nacionais. A queda do Muro e o fim de um desejo de infinitivo a que se chamou comunismo, fez delas inventário sem dono.

Numa dessas noites lendárias, que podiam constar num romance de John Le Carré, um cidadão de Bona ( por razões de descrição não vou detalhar), que mantinha boas relações com o Embaixador soviético convenceu-o, depois de vários vodkas, a doar-lhe uma cabeça gigante do pioneiro do espaço Juri Gagarin. Nessa mesma noite a colossal cabeça sairia da Embaixada no tejadilho de um Fiat 500 e subiria ao telhado de uma habitação na Beethovenallee. O mulher do admirador do cosmonauta  só descobria o novo ornamento no telhado decorridas três semanas. Ficou furiosa, mas o marido foi peremptório: “se o Gagarin sair eu saio também”. Ficaram os dois até hoje.

Passo por lá todos os dias para buscar a minha filha à escola e não consigo deixar de sorrir com o implausível.

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