Cidades da vida, cidade dos mortos

Calor, muito pó. Cheiro intenso. Ruas, chamemos-lhe assim, labirínticas. São estes os fragmentos que retive deles. Na base das colinas Mokattam, fronteira entre o Cairo e o deserto, a vida tem elevados graus de crueza e desassombro. E tem uma inexplicável alegria.

Sérgio Tréfaut, em “Cidade dos Mortos”, documenta com placidez as rotinas destes habitantes nos limites da vida. Oquotidiano daqueles desde os anos sessenta começaram lentamente a estabelecer-se nos cemitérios do Cairo. Adultos e crianças que partilham o túmulo de mortos que não conhecem. Aqui há lojas e cafés, traficantes de droga e vendedores de gelados entre os túmulos. Há mesmo um mercado que não se incomoda com a passagem dos funerais. E há tantas, tantas “estórias”.Tão diferentes todas e tão comuns.

O filme foi feito com o consentimento dos habitantes (entre 2004 e 2009) e à revelia das autoridades que consideram os cemitérios do Cairo, como “a vergonha das vergonhas”, embora existam excursões organizadas para os visitar.

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