Cof,cof, hrrrmmm

Mal as luzes se apagam há um rumor, chamemos-lhe assim, que cresce. Em staccato forte ou martellato subito ecoa, nas Óperas ou salas de concerto, uma sinfonia barulhística, um contagiante “cof, cof, hrrrmmm”. E irritantemente tosse-se mais durante obras como as de Claude Debussy e do que em sinfonias poderosas como as de Peter Tchaikovsky. 

O barítono Thomas Hampson tem uma teoria para explicar os ataques de tosse: os seres humanos sentem a necessidade de cantar quando ouvem música, por isso durante um concerto as cordas vocais estão em constante tensão, quando a uma passagem mais alta e vibrante se segue outra mais calma, as cordas vocais descontraem-se e então começa-se a tossir e logo no momento em o ruído mais incomoda. O barítono aconselha os melómanos a levarem consigo rebuçados para a tosse, uma garrafinha de água e um lenço de mão.

A sugestão é bem intencionada e pode evitar episódios como o célebre ataque de mau humor de Jon Vickers. Durante a ópera “Tristão e Isolda, em Dallas, Jon Vickers, que interpretava Tristão, fez um parêntesis e gritou para a audiência “Shut up with your damn coughing!”. Confesso que por vezes me apetece gritar o mesmo…

 

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