Poder do clítoris ou a cegueira do vamos a eles?

Este episódio é um paradigma da intolerância que se instala. Da forma de ser e agir das sociedades contemporâneas e laicas. Não se passou em nenhum país muçulmano, mas em Madrid.

No dia 10 de Março um grupo de meia centena de estudantes universitárias invadiu a capela da Universidade Complutense de Madrid, onde se celebrava missa.

No altar as “activistas” desnudaram-se da cintura para cima e mostraram palavras de ordem escritas no corpo: “bissexual”, “puta”, “poder ao clitóris”. Cantaram cânticos blasfemos e traziam consigo imagens do Papa Bento XVI com uma cruz suástica.

A vulgaridade, o proselitismo anticlerical, que as “activistas” descreveram como “encenação poética”, foi registada em vídeo e disponibilizada na internet. Cheias de ódio à “intolerância católica” as “activistas” pintaram ainda na capela “vais morrer como em 1936” (uma referência à destruição das igrejas católicas durante a guerra civil espanhola). Trevas medievais embrulhadas na roupagem de 68?

Gostava de ver estas “activistas”, com a sua arrogância insustentável, a queimar soutiens e a defender o “poder do clitóris” ou os direitos dos homossexuais numa mesquita ou numa sinagoga. Mas, como aquilo que se pretendeu foi ocupar o palco mediático e brincar aos progressistas, limitam-se ao mais fácil e menos perigoso, o cavalgar no Zeitgeist de vão de escada ofendendo católicos. É grave e é sintomático.

Vive-se nas Universidades espanholas  uma verdadeira cruzada pelo laicismo. Discussão que é sem dúvida legítima. Como todas as que são feitas com argumentos. Todavia, quando o “vamos a eles” asfixia qualquer laivo de discernimento, então surge a caricatura grotesca.

O regime dos “estudantes de Teologia” no Afeganistão recusava radicalmente todas as outras culturas, todas as formas divergentes de ver o mundo e todas as outras religiões, o que levou mesmo à implosão das estátuas gigantes dos Budas de Bamiyan. Os talibans espanhóis  modernos são laicos, jacobinos e supostamente progressistas. Visam impor a todos as normas de conduta individual de alguns, “os virtuosos”,determinaram serem as únicas admissíveis. Chama-se a isto totalitarismo.

Ps- O vídeo da profanação pode ser visto aqui

 

 

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10 Comentários

Filed under direitos humanos, Espanha, Intolerância, Tolerância

10 responses to “Poder do clítoris ou a cegueira do vamos a eles?

  1. Pingback: Aqui ao lado « O Intermitente (reconstruido)

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  3. João Paulo Magalhães

    Os talibans espanhóis modernos são laicos, jacobinos e supostamente progressistas. Visam impor a todos as normas de conduta individual de alguns, “os virtuosos”,determinaram serem as únicas admissíveis. Chama-se a isto totalitarismo.

    É facto. Esta gente é feita da mesma estirpe que aquela que há anos atrás estava do outro lado do altar. São os beatos modernos.

  4. João Paulo Magalhães

    … e parabéns à autora pela lucidez.

  5. Pingback: Estudantes universitárias espanholas super progressistas! « Livros – Documentos

  6. CBO

    Se não se importar, vou fazer link lá no CR.
    Entretanto, informo-a que hoje é uma das mulheres homenageadas no meu cantinho
    Bom fds

  7. carlos

    Digam a essas gajas inconscientes para se irem manifestar no afeganistao, no sudao, na arábia saudita ou no iémen! Passa-lhes logo…

  8. Pine Tree

    Como dizia o outro: “Não faço doutrina nem dou conselhos, limito-me a dizer o que me parece”.
    E o que me parece, queridas irmãs, é que Vossências estão a abrir a porta do inferno e que ainda se queima no enxofre. E isto porque há dois cenários:
    1 – Vossências continuam com êxito a destruir a estrutura moral da nossa civilização e qualquer dia o reitor da universidade será substituído por um imã.
    2 – O povo farta-se com “tanta falta de desconsiderações” e reage. E agora aposto dobrado contra singelo que a reacção não será amável. É mais natural que se faça em ferro e sangue, para citar o Senhor Bismarck.
    *
    Nas duas situações cumprir-se-ão os fados.
    Por isso, se fosse eu, estava muito caladinho a disfrutar das liberdades que por aqui existem. Mas como disse, não dou conselhos. Conselhos dava o António Botto.

  9. Inaceitável. Tanto o acto de rebeldia destas meninas, como a atitude da igreja perante quem não encaixa nos seus “critérios” de virtuosismo. Tolerância é uma palavra muito bonita, mas um ideal pouco praticado. E quem comenta deve educar, não ameaçar.

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