Entre o Carnaval e sete palmos de terra

A realidade dos desfiles de Carnaval na Alemanha é tão esquizofrénica, tão dividida entre o que parece e o que é, que se tornou num momento obrigatório de alegria num país geneticamente sisudo.

Há muitos episódios singulares do Carnaval alemão que podiam ser contados, mas a talvez a “estória” mais invulgar seja a de Christoph Kuckelhorn, o director do desfile do Carnaval de Colónia, cortejo que leva às ruas perto de um milhão de pessoas e dá emprego a mais de 5 mil pessoas.

Herdeiro, na quinta geração, de uma empresa familiar, Kuckelhorn é um organizador compulsivo, um perfeccionista. “ Tal como um funeral o sucesso do desfile de Carnaval de segunda-feira (o Rosenmontagzug) depende de um irrepreensível planeamento logístico.” Num funeral não posso dizer aos familiares que o orador não esteve bem, ou que as flores não eram bonitas, tudo tem de funcionar bem à primeira, como no cortejo”. Fala de um modo pungente, sem ser sentimental, é dramático qb, sem ser piegas. Na sua voz persiste uma secura que lhe é dada pela profissão. A empresa familiar Christoph Kuckelhorn preside é uma agência funerária e ele embalsama pessoalmente os corpos. Por aqui se percebe porque falava eu em esquizofrenia…

 PS- Uma excelente  reportagem sobre Christoph Kuckelhorn pode ser ouvida na Deutschland Funk.


2 thoughts on “Entre o Carnaval e sete palmos de terra

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