Calling the D-Mark, calling the D-Mark

Não existe um dia em que Portugal não venha nas notícias alemãs. Razão? Não, não é o Cristiano Ronaldo, antes fosse, mas os apuros portugueses e a dívida pública. E o teor dos artigos é cada vez mais “se os conheces, evita-os”. Os resgates da Grécia e da Irlanda não passam, para muitos analistas, de paliativos temporários.

Quem deste lado tem estado atento aos episódios da “crise do euro” nota que, aos olhos alemães, um divórcio do euro não é um cenário de todo irrealista. Seja um divórcio amigável dos países „azeitona“ (da Europa do Sul), seja um divórcio mais “bicudo”: a saída da Alemanha da zona euro.

Atravessando o espectro ideológico, estão grupos de pressão que “conspiram” para tornar o regresso do D-Mark numa realidade. Uma sondagem recente mostra que 57 por cento dos alemães saudaria a retorno ao marco e que 82 por cento está preocupada com a estabilidade do euro. Neste cenário o surgimento de um novo partido político conservador, uma espécie de Tea Party anti-euro, é uma hipótese que paira no horizonte. Entre os mentores desse movimento de protesto está um dos netos de Konrad Adenauer, o primeiro chanceler do pós-guerra, e vários liberais desiludidos.

O Tea- Party alemão pode não passar de foguetório ou populismo barato, todavia é expressão de um mal estar profundo. Subestimar as preocupações dos alemães seria um erro. Subestimar o Tribunal Constitucional alemão, um erro ainda maior (há uma cartinha pronta a enviar a este órgão caso Portugal recorra a ajuda europeia). O que coloca a chanceler perante um dilema. Se assumir o papel de “dama de ferro” perante países como Portugal ela irá quebrar o tradicional europeísmo democrata-cristão. Se ignorar os receios da “rua” arrisca-se a pagar um preço político elevado.

Como escreve,  no Público, Dani Rodrik “de momento, a zona euro poderá ter atingido o ponto em que um divórcio amigável é melhor opção do que anos de declínio económico e azedume político”.

A leitura deste artigo da Der Spiegel é leitura obrigatória para compreender o movimento Tea-Party. E esta história, claro, não acaba aqui.


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