África Minha

 

O meu "gatinho".

Cheguei à fronteira de Ressano Garcia embalada pela canção do bom malandro do motorista moçambicano. Em duas horas de viagem, de forma gráfica, Marino desfiou a sua biografia. Alucinante filme em fast forward. Os estudos em Cuba, a passagem pela Alemanha, as mulheres que o sustentaram, o filho que não conhece em Heidelberg, as proezas sexuais. Sem parar para respirar e conduzindo a olhar para os bancos de trás. Marino viveu (vive) sempre na corda bamba. A sua vida é um misto de relacionamentos duvidosos, aventuras, expedientes, sexo, amor, favores, chantagens, negócios, cumplicidades. Meio a brincar, meio a sério disse que mentia muito.

Na fronteira, um local muito estranho, kafkiano mesmo, troquei de carro e de motorista. O guia que me levaria a Malelane Gate, uma das entradas no Kruger National Park, é um sul-africano de nome premonitório: Godknows. Quem o viu tímido, delicado, falando pouco, não o imagina agarrado ao volante, percorrendo as picadas do parque e a demostrar uma tranquilidade invejável perante um leão a menos de um metro do jipe.  Com ele – you are very lucky Madam –  vi quatro dos “big five”  (leão, leopardo, búfalo, elefante e rinoceronte ).  Só falhei o leopardo.

Depois de duas semanas vertiginosas de trabalho em Maputo tudo o que queria era um horizonte que não acabasse mais. E muitos momentos “national geographic” inesquecíveis . Tive-os aos dois.

God really knows.

 


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