Anjo Branco

MONUMENTO-DE-WIRIYAMU, Foto do blog Ma-Schamba

A J.K. Rowling portuguesa, José Rodrigues dos Santos, pode não ter descoberto a fórmula de Deus, mas descobriu seguramente a fórmula de Midas.

Traduzido em dezassete idiomas, José Rodrigues dos Santos vendeu mais de um milhão de exemplares dos seus romances. O último lançado há poucos dias, “O Anjo Branco”, é sobre a vida dos portugueses em Moçambique, tendo como epicentro o massacre de Wiriyamu, ocorrido a 16 de Dezembro de 1972. Como escreve Eduardo Pitta, trata-se de um assunto de família foi o pai do escritor, médico e presidente da Cruz Vermelha de Tete, quem denunciou as atrocidades do Exército português.

“Epítome da bestialidade, Wiriyamu horrorizou a opinião pública internacional, alertada pelos missionários combonianos e pelo padre Hastings”, que o pôs na primeira página do Times de Londres uma semana antes da visita de Marcelo Caetano Grã-Bretanha, para celebrar os seiscentos anos da aliança anglo-portuguesa. A confusão em Londres foi grande, os trabalhistas tentaram boicotar as festividades e até um certo Mário Soares apareceu por lá para “ dar a sua facadinha política” nota o blog Ma-Schamba.

Este romance é a história do combate solitário do homem que fundou o Serviço Médico Aéreo de Tete, um distrito do tamanho de Portugal continental, e foi o primeiro civil a encontrar os corpos calcinados, decapitados e mutilados -mais de quatrocentos – de homens, mulheres e crianças das aldeias de Wiriyamu, Chawola e Juwau.

Mas, o livro não se esgota no massacre de Wiriyamu. O pano de fundo é a emigração portuguesa para África e, em concreto, a vida dos colonos em Moçambique, nos anos 1960-70. Tudo começa em Penafiel, em 1936. Portugal é um país pobre e atrasado. O nacional-socialismo alemão está em alta. Lisboa começa a encher-se de refugiados em trânsito para o outro lado do Atlântico. Para assombro da família, José Branco, que tem Moçambique no horizonte, torna-se médico e especializa-se em medicina tropical. Parte com a mulher rumo a Moçambique e chega lá no momento em começa a guerra em Angola. O livro promete, espero também que cumpra.


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